Ida para a creche… e agora?

Sou fã do trabalho da Laura Sanches há muito tempo, desde que comecei a seguir o seu blogue Parentalidade com Apego. A Laura é psicóloga e autora do livro Mindfulness para Pais, que muito me tem apoiado neste caminho como mãe. E foi com um grande prazer que a convidei para estar na conferência HUMANOS – Onde começa a nossa Natureza, a realizar-se no próximo dia 28 de outubro, em Cascais.

Hoje, vem falar-nos um pouco sobre a ida dos bebés e crianças para a creche e jardim de infância.

O ano letivo está a começar e a ida para a creche ou jardim infantil é a realidade para muitos bebés e crianças. Qual seria a idade ideal para um bebé deixar de estar em casa?

A idade ideal depende um pouco de cada criança mas acredito que a melhor idade para começar a escola seria por volta dos 5, em alguns casos 4 anos. Nem sempre isto é possível mas, para passar o dia inteiro numa escola, antes disso penso que é cedo. A partir dos 3, 4 anos as crianças podem beneficiar de ter outros miúdos com quem possam brincar de forma regular mas não precisam disso o dia inteiro. É mais importante até esta idade serem capazes de estabelecer uma relação segura com um adulto do que com os pares.

Acredito que, a partir dos 3 anos, uma criança já consegue estar na escola mais horas sem que isso lhe cause tantos danos porque já tem algumas características que podem facilitar essa transição: já fala bem o que significa que consegue expressar as suas necessidades, já tem alguma noção de tempo o que lhe permite perceber a rotina e saber que os pais vão buscá-la no final do dia e também já tem alguma capacidade de começar a brincar realmente com outras crianças. Mas isto não quer dizer que seja o melhor para ela estar o dia inteiro numa escola.

Quando vão para a escola, o que pode ser importante procurar nos novos cuidadores? É benéfico fazer uma transição suave? 

O mais importante é procurar alguém que esteja atento e que consiga dar resposta às necessidades da criança, respeitando-as. Nem sempre isso é fácil de conseguir com salas cheias de crianças da mesma idade mas o que determina a capacidade da criança se sentir segura num determinado ambiente é mesmo o sentir que tem algum adulto que está disponível para responder às suas necessidades.

A entrada na escola não é nada natural para uma criança a quem todos os instintos dizem que deve procurar ficar em sítios conhecidos com pessoas com quem se sinta segura. Sempre que a criança está num sítio desconhecido o seu instinto de apego fica muito mais activo, por isso ela procura mais os pais ou as pessoas a quem se sente ligada e precisa que estes a ajudem a fazer essa transição da forma mais suave possível. Estamos a pedir a uma criança que fique num sítio estranho com pessoas que ela não conhece e os seus instintos dizem-lhe que isso é perigoso porque as crianças estão programadas para se sentirem seguras apenas com aqueles a quem estão ligadas. Por isso é essencial que os pais, primeiro, as deixem familiarizar-se com os sítios e as pessoas e depois as ajudem a criar uma ligação com o educador ou auxiliar que lhes permita sentir alguma segurança.  Neste artigo, exploro algumas formas de tornar mais suave a entrada na escola.

Há a crença de que as crianças que estão mais tempo em casa irão sofrer mais quando vão para a escola. É mesmo assim?

Uma criança que está mais tempo em casa pode manifestar mais o seu desconforto quando vai para a escola mas isto não quer dizer que isso seja pior para ela. É benéfico que as crianças chorem e protestem e que se sintam à vontade para o fazer e uma criança que mostra relutância em separar-se dos pais está apenas a fazer o que é natural. O facto de uma criança pequena não demonstrar essa relutância é que pode ser preocupante.

A partir de que idade é importante a socialização com outras crianças?

Socializar com outras crianças começa a ser mais importante a partir dos 3, 4 anos. É por esta altura que elas começam a ser capazes de brincar verdadeiramente umas com as outras, mas isto não quer dizer que precisem de estar o dia inteiro nessa socialização, ou que isso lhes faça bem nesta idade.

Escreveste um artigo muito interessante sobre os efeitos da ausência materna. Que sugestões podes deixar aos pais que estão com o coração pequenino por deixarem os filhos na creche ou jardim de infância?

O mais importante é termos noção que não é natural deixarmos as crianças o dia inteiro longe de nós. A partir daí precisamos de ter noção que vamos ter de estar mais atentos aos sinais que elas nos derem para, de algum modo, compensar essa ausência. Costumo dizer sempre que deixar um bebé na creche não significa que estamos a prejudicá-lo para sempre mas significa que podemos estar a criar uma vulnerabilidade ou fragilidade e é preciso estarmos bem atentos aos sinais que a criança nos der de que precisa de ser compensada.

O elo que une uma mãe ao seu filho é muito forte mas, apesar de ser inquebrável, pode ficar fragilizado por separações prolongadas ou muito repetidas. Então a forma de repararmos esse elo é procurarmos mostrar que estamos totalmente disponíveis quando voltamos a estar juntos. E, com bebés e crianças muito pequeninas, a melhor forma de o mostrar é através de muito contacto físico que é essencial para o seu bem-estar.

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As inscrições estão a correr em bom ritmo. Já garantiste o teu lugar? Sabe mais aqui ou contacta-me através de cristina.cardigo@mimami.org Até já!

Humanos

De visita ao estádio

Nunca liguei muito a futebol. Durante muitos anos, dizia que era do Sporting. Na minha família começaram a ser do Benfica, depois passaram a ser do Porto, havia um primo que era do contra e decidiu ser sportinguista. E eu, olhando para o primo mais velho, achei que seria uma decisão acertada. O Paulo Sousa também teve a sua influência (e o Sá Pinto também, imagine-se!) e acho que cheguei a ter um poster do Figo no meu quarto.

Depois casei. O meu companheiro ganhou uns bilhetes para um jogo já nem me lembro com quem mas onde o Benfica marcou uns 5 ou 6 golos, o último já estavamos nós fora do estádio. E foi assim que comecei a apreciar a ida à catedral e todos os rituais associados. No nosso caso, estacionar longe e saber qual a melhor porta para fugir ao trânsito, vestidos a rigor (para verem o meu nível de literacia futebolística, a minha camisola é do Carlos Martins), cantar o hino, vibrar com a águia, gritar goooolo e, no final, bifanas da rulote incluídas no pacote.

Antes do Gui nascer íamos aos jogos mais importantes, com o Porto, com o Sporting, os da Champions. Ver como o meu companheiro – que nunca foi vidrado em bola – vibrava com as idas ao estádio era realmente ternurento. E eu que, durante um certo tempo, quase que chamava de obsoletas as pessoas que gostavam de futebol, descobri um lado bem interessante. Sobretudo quando comecei a encontrar famílias inteiras, netos e avós de cabelos bem branquinhos, num ambiente realmente místico.

Hoje, a terminar as férias, decidi fazer uma surpresa e fomos fazer a visita ao estádio. Foi tudo bastante simples, estacionámos no parque, comprámos bilhete de família na megastore e ainda recebemos dois cachecóis sem estarmos à espera, um para cada filho. A cada 15 minutos parte uma visita, onde conhecemos o estádio por dentro, o balneário dos visitantes, as três águias… enfim, recomenda-se para os aficionados.

benfica visita estádio

Para mim, foi muito bom ver o miúdo e o graúdo felizes com o passeio. O miúdo pode comprovar que o melhor amigo dele afinal não tinha razão: o Benfica não cheira mal. Porque, no final de contas, podemos amar um clube e torcer por ele sem fazer troça dos outros. Ou fazer um bocadinho vá, com aqueles amigos do peito que sabemos que não nos levam a mal.

Recomendado a quem tem sangue benfiquista. A quem não tem, há sempre outras opções. ;-)

assinatura blogue cristina cardigo

O Tesouro

Todos os bebés nascem com um baú. É resplandescente, novo, cheio de preciosidades. À nascença, este baú representa toda a abundância e amor que existe num universo de possibilidades infinitas. Tem uma importância tal que determina a riqueza que este bebé irá possuir ao longo da sua vida.

No início, o baú é Continuar a ler

O poder de dizer basta!

Uma mulher tem um quintal. Este quintal fica no meio da cidade, rodeado por outras as casas e prédios. Esta mulher tem vizinhos que não gostam do barulho de bebés e crianças e que os mandam calar, mesmo quando tudo o que estão a fazer é brincar, sem grande algazarra.

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Dia dos avós

Os livros de histórias mostram avós de cabelos brancos, rostos suaves, felizes, doces com os netos. Será sempre assim? A romantização dos avós, como aquilo que gostaríamos tanto que fosse.

Tive um avô que me levava a passear, contava histórias, ensinava a fazer magia e a ler o tarot. No natal, fazia o presépio com todos os detalhes, um momento verdadeiramente especial. Tenho outro avô, abusador, manipulador, ganancioso, controlador. Ainda vivo, de quem Continuar a ler

Ele nunca conta nada!

Quantas mães não repetem esta frase? O filho (ou a filha) não contam nada da sua vida, não conversam, não partilham o que lhes vai na alma. Elas bem tentam, perguntam o que se passa, mostram interesse, insistem, persistem. E quanto mais o fazem e menos resposta obtêm, maior a frustração. E maior a cobrança.

Muitas mães e pais têm a expectativa de que é Continuar a ler

Sobre totós

Totós é para meninas!

– Olhe que não, pai! Hoje em dia já não é assim! dizia uma auxiliar

– Não, homens não usam totós! Se usarem, fica sempre a dúvida!

– Aqui na escola, totós continuam a ser só para as meninas! dizia uma educadora

– Mas oh pai, então e os jogadores de futebol? continuou a auxiliar

– Ah, os jogadores de futebol é diferente!

 

Esta foi uma conversa que assisti hoje de manhã, na escola onde está o meu filho. Em pleno século XXI, num Continuar a ler

Sobre a coragem

Ele diz-me que tem medo de cortar as unhas e eu canto “forte e corajoso, bombeiro Gui!!” como se fosse o bombeiro Sam na manicure. Fala-se muito sobre coragem, sobretudo quando falamos sobre bombeiros e salvamentos.

Hoje foi ver a fanfarra dos bombeiros e vestiu-se a rigor. Conta a avó que Continuar a ler

Confiem no pai!

Imagem: Um homem sozinho com um bebé ao colo. O que pensam as pessoas? O que pensarão homens, novos e velhos, mulheres, solteiras ou casadas? Querem apostar?

Com o meu regresso ao trabalho, as minhas crianças têm ficado com Continuar a ler

Beijo roubado

O meu corpo não é do domínio público. Seja eu bebé ou criança traquina. O meu corpo não é do domínio da tia, da avó, da vizinha, do pai ou da mãe. O meu corpo é meu. Por isso choro quando não gosto do colo, por isso reclamo se não quero um beijo. Eu dou beijos a quem quero, quando quero. E detesto quando me dizes “então vou roubar-te um beijo!”. Chego a arrancá-los da minha cara e deitá-los fora! O meu corpo é meu e sempre me disseram que ninguém pode tocar em mim sem que eu queira. Assim como eu também não posso tocar nos outros se eles não quiserem. A isto se chama respeito.

Podes achar que sou pequenino e que tu só me queres bem. A tua intenção pode ser boa, mas lembra-te por favor… é de pequenino que aprendo que posso dizer NÃO! sempre que me tocam sem eu querer.

Um beijo é algo muito especial e íntimo, que precisa de confiança e de conquista. Eu sou assim. Seletivo.

Respeita o meu espaço, respeita o meu tempo, respeita o meu corpo.

Respeita a minha vontade. Respeita-ME.