O poder de dizer basta!

Uma mulher tem um quintal. Este quintal fica no meio da cidade, rodeado por outras as casas e prédios. Esta mulher tem vizinhos que não gostam do barulho de bebés e crianças e que os mandam calar, mesmo quando tudo o que estão a fazer é brincar, sem grande algazarra.

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Ele nunca conta nada!

Quantas mães não repetem esta frase? O filho (ou a filha) não contam nada da sua vida, não conversam, não partilham o que lhes vai na alma. Elas bem tentam, perguntam o que se passa, mostram interesse, insistem, persistem. E quanto mais o fazem e menos resposta obtêm, maior a frustração. E maior a cobrança.

Muitas mães e pais têm a expectativa de que é Continuar a ler

Vender a alma ao diabo?

Eu sou do marketing. E também sou da amamentação.

Tenho o bom-senso de perceber que ainda bem que existe leite artificial. Que os bebés já não têm que beber leite de vaca em natureza ou leite condensado (como o Continuar a ler

Amamentar, de coração cheio

Fotos românticas de mães, com ar sereno e composto, a amamentar os seus bebés. “O melhor presente que lhe poderia dar.” Tudo fácil, tudo simples, tudo tranquilo.

E quem fala nas gretas, nas posições, nas noites mal dormidas, no bebé que chora e não sabemos como acudir? Ganha pouco peso (seja lá isso o que for), dorme pouco (seja lá isso o que for), toda a gente opina sobre aquele pequeno ser que acabou de chegar a este mundo.

Amamentar, algo natural mas que nem sempre vem com naturalidade.

Perante os problemas, muitas mães procuram Continuar a ler

12 Passas, 12 Desejos

Quando um bebé nasce, muda tudo. Acabam-se as noites bem dormidas, a liberdade, ganham-se novas responsabilidades. Parece uma escolha absurda que a biologia nos obriga, a bem da preservação da espécie. Escrevo a propósito da noite de ontem.

Nunca fomos de grandes celebrações na passagem do ano. Festa com hora marcada, tudo caro fora de casa, muito sono à meia-noite. Todos os anos a indecisão sobre o que fazer e acabávamos sempre por passar no conforto do lar. Umas vezes ganhámos coragem para ver o fogo-de-artifício, noutras nem por isso.

Mas no ano em que o Gui nasceu, sentia-me em prisão domiciliar. Não que eu quisesse sair, Continuar a ler

Sobre a coragem

Ele diz-me que tem medo de cortar as unhas e eu canto “forte e corajoso, bombeiro Gui!!” como se fosse o bombeiro Sam na manicure. Fala-se muito sobre coragem, sobretudo quando falamos sobre bombeiros e salvamentos.

Hoje foi ver a fanfarra dos bombeiros e vestiu-se a rigor. Conta a avó que Continuar a ler

Confiem no pai!

Imagem: Um homem sozinho com um bebé ao colo. O que pensam as pessoas? O que pensarão homens, novos e velhos, mulheres, solteiras ou casadas? Querem apostar?

Com o meu regresso ao trabalho, as minhas crianças têm ficado com Continuar a ler

O pós-parto do Gui

Um bebé tranquilo, que dormia a noite toda, não chorava e ia ao colo de toda a gente com satisfação. Estão a ver como é um bebé assim? Eu também não. Esta não era a descrição do meu Gui.

Duas semanas após o parto, fiquei internada no hospital por 8 dias, com umas febres malucas que teimavam em não passar. 3 antibióticos diferentes para a veia, mais o soro, mais um bebé para amamentar, num hospital em que só podia ter o acompanhante comigo entre as 12h-20h. Sabem a tortura do sono nazi? Assim estava eu. Ou era ele que Continuar a ler

Parentalidade e saúde na era Google

Pânico no túnel!!
A partir do momento em que uma mulher engravida pela primeira vez e dispõe de um smartphone com acesso à internet, o Google torna-se o melhor amigo e o pior inimigo da parentalidade.

Homens e mulheres começam a devorar toda a informação possível sobre o novo estatuto vitalício que se aproxima: mãe e pai.
O que é que acontece quando vamos ao Google pesquisar qualquer coisa relacionada com saúde? Só aparecem as piores doenças possíveis, os sintomas mais horrendos e quase sempre incuráveis ou que podem levar à morte.

Mas quando pesquisamos sobre nós a coisa é assustadora mas não assume as proporções bíblicas quando o pequeno ser humano com a saúde periclitante é um filho.
Depois de abrirmos a caixa de pandora do Google sobre a doença de um filho, invade-nos uma sensação de ataque cardíaco iminente que quase deixa os nossos filhos órfãos, nem que seja só um pensamento exagerado e idiota que durou 2 segundos.

Depois temos duas hipóteses:
Ou continuamos a ver o horror que a vida dos nossos filhos se pode tornar, ou vamos ao nosso grupo preferido de mães pedir conselhos e consolo na esperança de que em uníssono nos digam: não, nunca ouvi falar dessa doença, não vai ser nada, o teu filho vai ficar bom num instante!
Mas há uma terceira hipótese. Alguém nos dizer: sim, conheço alguém que passou por isso e é mesmo grave.

Pânico no túnel!! E já estamos na fase de estar soterrados debaixo dos escombros!

Sim, sabemos que a maioria das coisas horríveis que lemos não acontece com frequência. Sossegamos o coração com a estatística, mas acontecem.
E o nosso filho pode ser o infeliz contemplado.

Escreve-vos esta mãe que tem o filho com o olho inchado, com uma infecção malvada que tem sido recorrente mas por enquanto ainda não é herpes, e ambos respiramos de alívio ainda que a oftalmologista pediátrica não tenha confirmado o pior diagnóstico, o inglês da doutora era mínimo e o pai mal percebeu o que ela disse.

Isto de viver noutro país que fala uma língua estranha e difícil, o checo, custa um bocadito mais quando temos filhos doentes.

Marília Campos

Tranquilo

Foram várias dias seguidos de guerra aberta e o cansaço transformou-se em exaustão. Tens que impor regras, diziam uns. Tens que definir os limites e mostrar quem manda, não podes ser tão mole, diziam outros.

E eu decidi. Decidi estar presente, naquele momento, aceitar o que cada momento me trazia. Esqueci o futuro, deixei a vida fluir no tempo. Na 6ª feira não houve banho. E também não houve brigas para vestir pijama ou para escovar os dentes. No sábado, tomámos um banho diferente, a uma hora diferente. O WC ficou de pantanas, mas ele divertiu-se e eu tive o sentimento de missão cumprida – de forma tranquila. Prefiro 1000 vezes limpar água do chão do que obrigar o meu filho a tomar banho. Mesmo que seja para o seu bem, mesmo que se trate de uma questão de higiene.

Passei a responsabilizá-lo mais pelos comportamentos. E deixei a vida fluir. E ele ficou mais tranquilo e mais cooperante.

Reconectámos, tranquilizámos, sentimos de novo o amor uns pelos outros.

Obrigada, Mia. <3