Dorme como um bebé

2 anos a acordar várias vezes por noite para mamar. Assim foi o meu filho Gui, como vos contei neste texto. Sesta? Lutava contra ela ferozmente. Com 2 anos foi para a creche e, durante o primeiro mês, adormeciam-no ao colo. Depois, aos poucos, vendo os outros, aprendeu que era seguro adormecer sozinho. Em casa, Continuar a ler

Que calor, meu amor!

O tempo está quente, as notícias lá fora não são as melhores, mãe e bebé a desesperar sem quase sair de casa!

A bebé Bia está com uma borbulhagem na pele, junto ao pescoço, por causa de suar tanto nestes dias de muito calor. Depois de falar com a pediatra, fui à Dra. Google e encontrei esta chiqueza de nome: miliária. De seguida, pedi a ajuda do público (queridas amigas mães que habitam o meu Facebook) que me deram várias sugestões: desde não fazer nada, usar roupa fresca de algodão, usar creme da fralda, argila com azeite ou farinha maizena (em pó, em pasta, no banho).

É um tormento para adormecer. Tem comichão na nuca e Continuar a ler

Vender a alma ao diabo?

Eu sou do marketing. E também sou da amamentação.

Tenho o bom-senso de perceber que ainda bem que existe leite artificial. Que os bebés já não têm que beber leite de vaca em natureza ou leite condensado (como o Continuar a ler

A minha história de amamentação

Ter filhos não estava nos meus planos a curto prazo. Até que palpei dois nódulos de grandes dimensões na mama. Nesse dia, revi as minhas prioridades e senti o chamamento para ser mãe. Seria possível amamentar? As respostas eram sempre inconclusivas. A minha mãe amamentou-me durante muito tempo e não me passava pela cabeça fazê-lo de outra forma, achava que era a única hipótese (sim, é verdade, nunca me questionei o que beberiam outros bebés não amamentados, acho que presumi que recebiam leite de outras mães). Os nódulos eram benignos mas Continuar a ler

A história da Ana

Oito semanas com este anjinho nos braços… oito semanas de um amor tão grande, uma incredulidade imensa por ter conseguido fabricar esta pessoinha tão perfeita, oito semanas de tantas dúvidas, inquietações e frustrações… Oito semanas de gente e seis semanas de LM em exclusivo. Obrigada Cristina Cardigo por tudo!

Fica aqui a nosso testemunho dos melhores, mas também os mais difíceis, meses das nossas vidas..

Tivemos uma gravidez Continuar a ler

Amamentar, de coração cheio

Fotos românticas de mães, com ar sereno e composto, a amamentar os seus bebés. “O melhor presente que lhe poderia dar.” Tudo fácil, tudo simples, tudo tranquilo.

E quem fala nas gretas, nas posições, nas noites mal dormidas, no bebé que chora e não sabemos como acudir? Ganha pouco peso (seja lá isso o que for), dorme pouco (seja lá isso o que for), toda a gente opina sobre aquele pequeno ser que acabou de chegar a este mundo.

Amamentar, algo natural mas que nem sempre vem com naturalidade.

Perante os problemas, muitas mães procuram Continuar a ler

Mas ainda mama?!

Tens que tirar a mama! Porque já tem dentes. Porque já anda. Porque já fala. Porque faz cáries. Porque tira cálcio dos ossos da mãe. Porque vai ficar muito dependente da mãe (e a mãe quer-se “livre”). Porque é nojento e uma vergonha. Porque tira intimidade ao casal.

Se ganha pouco peso, se ganha muito peso, se fica ‘demasiado’ tempo na mama, se não dorme 12h seguidas, se só adormece na mama, se só quer o colo da mãe, se não come os sólidos, se respira… Tudo, portanto.

Mas ainda sai alguma coisa? Isso a partir dos 6 meses já não faz nada! Isso é só mimo! O vício da mama! Está a fazer da mama chucha! (Mas afinal o que surgiu primeiro? A mama ou a chucha?) Continuar a ler

Socorro, estou a ficar sem leite!

O que posso tomar para aumentar a produção de leite?

Esta é uma das questões que tira o sono a muitas mães que amamentam os seus bebés. É muito comum encontrar perguntas nos fóruns e grupos de facebook sobre o que fazer (ou o que tomar) para aumentar a quantidade de leite. Muitas mães decidem procurar a ajuda especializada de uma conselheira em aleitamento materno para resolver este pequeno (grande!) problema.

Calma, mamã… confia no teu corpo!

Depois de uma avaliação em que são feitas várias perguntas sobre o parto e sobre como está a decorrer a amamentação e a vida com o bebé, este é o primeiro conselho que dou às recém-mães.

Muitas mães acham que devem deixar encher as mamas de maneira a que haja mais leite disponível. Nada mais errado! Costumo dizer que devemos olhar para a mama como uma fábrica e não como um armazém. Então, o importante é colocar o bebé a mamar sempre que ele pede. Esquecer os relógios e as rotinas e ser, simplesmente, mãe. Sempre que o bebé mama, o nosso corpo recebe sinais de que é necessário produzir mais leite. Se deixarmos passar muito tempo ou, pior, se alternarmos mamadas com biberões de leite artificial, então o corpo pensa que não é necessário produzir tanto leite. Resultado: a produção de leite diminui! O melhor truque para aumentar a quantidade de leite é, portanto, amamentar com frequência, sempre que o bebé pede!

Mas eu dou-lhe leite, sempre que ele chora eu dou!

O choro é já um sinal de desespero, em que o bebé está com bastante fome. Devemos estar atentas a outros sinais, como abrir a boca, levar as mãos à boca, procurar a mama (virar a cara e querer mamar em tudo o que vê), agitação. Os bebés também choram por outros motivos, como necessidade de colo e carinho, frio/calor, fralda suja, distúrbios da barriguinha, cansaço. Na dúvida, confortar sempre o bebé e oferecer a mama.

Mas uso a bomba e não sai nada, tenho a certeza que o meu leite está a desaparecer!

Nenhuma bomba é tão eficaz como um bebé a mamar. É muito comum as mães não se entenderem com as bombas de extracção de leite. Muitas vezes procuram retirar leite apenas para controlar a quantidade que o bebé ingere, pois a “mama não é transparente”. Se estiverem nervosas, ansiosas e preocupada em ver o seu leite sair, então é garantido que não vão conseguir gota de leite! A saída de leite da mama é provocada pela libertação de hormonas que estão relacionadas com o amor. Se a mãe está ansiosa, isso vai bloquear todo o processo hormonal que possibilita que o leite flua. Então, se for mesmo necessário usar a bomba (por exemplo, se a mãe se vai ausentar e é outra pessoa que vai dar o leite), recomendo que a mãe esteja num ambiente calmo, a média luz, com o seu bebé perto de si (ou até a mamar na outra mama). Se não for possível, um bom truque é olhar para as fotos do bebé, sentir o cheiro da sua roupa, qualquer coisa que a faça transportar para o mundo do seu filho. Uma massagem nas costas dada pelo parceiro ao mesmo tempo que usa a bomba também faz milagres. De qualquer forma, não é boa ideia usar a bomba para perceber se ainda se tem leite ou que quantidade tem. Conheço mães que amamentaram mais de 2 anos e nunca conseguiram tirar leite com bomba!

Mas ele puxa a mama, refila, chora! Estou mesmo a ficar sem leite!

É um facto, o seu bebé está frustrado. Ele quer mais leite e não tem tanto disponível naquele momento. Mas o que significa o seu comportamento? Desde que o bebé nasce passa por vários picos de crescimento e precisa de um aporte de leite adicional. Então, é normal que procure mais a mama, que exija mais leite do que aquele que tem disponível. O que fazer? Dar ainda mais mama, sempre que ele precise. Isto vai ocorrer durante uns 2 ou 3 dias até a produção voltar a estabilizar. A mensagem que o bebé quer transmitir ao corpo da mãe é “quero mais leite, por isso é que estou a mamar mais!”. Quanto mais o bebé estiver na mama, mais rapidamente a produção irá normalizar. Ofereça uma mama, ponha a arrotar, volte a oferecer a mesma mama. Se ele recusar, ofereça a segunda e faça o mesmo quando ele terminar. Se necessário, pode até voltar à primeira mama, até que ele fique satisfeito.  Se ele refilar muito consigo, responda com carinho. Quando a mãe está tensa, o bebé sente a tensão, bem como há mais dificuldade em que o leite flua. Namorar muito com o bebé, estarem os dois apenas pele com pele (e um cobertor por cima, se sentirem frio), faz milagres.

Mas não passou nem meia hora e ele quer mamar de novo!

O estômago dos bebés é muito pequeno e o leite materno é de digestão fácil, daí que seja normal que queiram mamar com intervalos mais curtos, sobretudo em momentos de picos de crescimento.  Se passou meia hora desde a última mamada, ofereça de novo, sem qualquer problema. O bebé ficará mais calmo, a mãe também ficará mais tranquila. E é meio caminho andado para uma boa evolução do peso.

E não há nada que eu possa tomar?

Há várias respostas possíveis para esta questão, dependendo das culturas e do local geográfico onde a mãe esteja. Há quem fale na cevada (e na cerveja preta), na pele do bacalhau, entre tantas outras coisas. O ideal é a mãe ter uma alimentação equilibrada, mas não existe nenhum produto milagroso. Há quem aconselhe o chá de funcho e até se encontra nas farmácias e ervanárias como sendo adequado à amamentação. Mas atenção! O funcho é neurotóxico, risco 2 de acordo com o e-lactancia.org, pelo que é desaconselhado! Beber água é sempre bom, mas as mães que amamentam devem atender à sede que sentem.

Então e o Promil?

O Promil é um preparado de cardo mariano que tem um feito placebo: funciona com algumas mães porque estas se sentem mais calmas e confiantes. Mas, na verdade, não há nenhum estudo que comprove a eficácia deste produto. De notar também que é um produto vendido por um grupo empresarial que comercializa leite artificial.

O fundamental é informar as mães. Uma mãe informada é uma mãe mais confiante e com mais poder. E uma mãe mais confiante é, também, uma mãe mais tranquila e mais feliz.

assinatura blogue cristina cardigo

Vacas, mães ofendidas e a TVI

Vi este post sobre a TVI no Facebook do IBFAN. Juro que não percebo as mães ofendidas. Amamentar também me fez sentir como uma vaca. Tanto que até comecei a comer erva. Encarnei (reparem na escolha do verbo, não foi acidental) tão bem no corpo bovino que, cada vez que o meu marido olha para mim, só consegue pensar em hamburgueres em bolo do Caco. O homem só me quer enfiar na picadora, e tchuca tchuca tchuca… é claro que sofremos de falta sexo de qualidade!

Para além disso, pensar como uma vaca não é fácil. É natural que fique desorientada e sem saber se o bebé comeu muito ou pouco. Comeu? Ou será bebeu? Ai, já nem sei. Deixem-me lá ruminar mais um bocadinho nesta erva, enquanto sacudo mais umas moscas.

Vida de vaca é dura. A minha já dura há 28 meses. Pena que a OMS não me tivesse alertado sobre estes efeitos secundários.

MUUUUUUUU!!

Com ou sem maminhas, eu (não) sou das boazinhas

Não há nada que toque mais o coração de uma mãe que um vídeo que apele ao seu sentido maternal. Bebés fofinhos, que nos põem as hormonas aos saltos, relações conjugais, auto-imagem, enfim, tudo e mais alguma coisa sobre a forma como nos vemos e os outros nos vêm.

Marketing, na maioria das vezes.

Nos últimos dias, este vídeo tem aparecido várias vezes no meu feed de notícias. Uma enfermeira, conselheira de aleitamento materno, dizia “mesmo tendo o patrocínio de um leite, este vídeo está muito bom”.

Oh lá! Uma enfermeira a partilhar um vídeo de fórmula, tenho que ver isto!, pensei eu.

A agressividade inicial do vídeo não me agradou. Mas, sob a perspectiva de marketing, este vídeo está genial. Muitas das pessoas que o partilham nem percebem que é um anúncio a leite adaptado. Basicamente, é um vídeo divertido, em que a moral é: As nossas diferenças não são importantes porque, sejam quais forem as nossas escolhas, no fundo todos queremos o bem dos nossos filhos.

As mães a tempo inteiro, as mães trabalhadoras, as mães que levam os filhos no carrinho, as mães que carregam os filhos no sling, as mães que usam fraldas reutilizáveis e, claro, as mães que dão leite adaptado e as que amamentam. É um vídeo de estereótipos. Mas que pretende dizer que, no fundo, não há certo ou errado, apenas escolhas.

Porque é preocupante? As nazis, as evangelistas ou talibãs da amamentação, são sempre vistas como as mães que julgam. E, claro, ninguém quer ser a mãe sisuda que faz julgamentos. Todas queremos ser as mães fofinhas, divertidas e tontinhas q.b., para sermos aceites.

O vídeo está genial porque sugere este silenciamento, curiosamente numa altura em que se fala tanto em liberdade de expressão. Normaliza o uso de leite adaptado. E estimula as guerras entre mães de uma forma perversa e subversiva. Ai, é? Não achaste piada? Pois, eu sabia que tu eras dessas! *dedo apontado*

Quem lucra com isto? As empresas de leite adaptado. Estamos a falar de um mercado global de 50 biliões de dólares (Zenith International). Hun, teoria da conspiração, será mesmo? Ou antes um negócio predatório?

Seria diferente se, legalmente, este fosse um mercado obrigatoriamente não lucrativo? Sem campanhas de marketing? Onde os leites vendidos seriam os considerados melhores para os bebés, através de investigação isenta? E recomendados por médicos cuja opinião seria baseada em evidências científicas e não em opiniões, crenças e mitos?

Gostava mesmo de ver isto.

Eu estive dos dois lados. Das mães que amamentam e das mães que deram leite adaptado. E senti-me julgada e incompreendida pelo resto do mundo, apenas se safou o pai da minha criança. Foi por ter sentido tantas dificuldades, em ambos os lados, que acredito profundamente que precisamos de mais apoio.

As mulheres que desejam amamentar precisam de apoio especializado na maior parte dos casos. As que não desejam e estão informadas, que sigam a sua vida, tranquilas com a decisão. As que desejam amamentar por 6 meses não são menos mães que as que amamentam por 2 anos. Há quem defenda o desmame natural da criança, há quem defenda o desmame gentil, há quem ache que as mães têm todo o direito de colocar um ponto final assim que entenderem.

E muita tinta (bits e bytes nem se fala) se gasta com este assunto. Eu cá sou a favor destas guerras entre mães. Adoro uma boa mommy war e nem precisa de ser na lama. E porquê? Porque se fala no assunto!

E sim, vamos falar pela milionésima vez nos benefícios da amamentação, para o bebé, para a mãe, no bom que é para muitas estar naquele estado fusional de amor. Mas vamos falar também das dores, fissuras e mastites. Vamos falar de histórias de sucesso e de insucesso. Vamos falar no sentimento de falhanço por não conseguir amamentar. Porque a culpa não é da sociedade que nos rodeia, das nossas expectativas, ou de pretender ser a mãe perfeita. O cansaço, a frustração, a falta de apoio, a falta de conhecimentos de muitos profissionais de saúde… as hormonas… estamos sensíveis demais.

E precisamos de apoio, sim. E não só apoio dos profissionais de saúde que estão na linha da frente.

Precisamos de uma sociedade sem moralismos bacocos, só porque amamentar em público incomoda, mas mostrar as (duas) maminhas para vender coisas já nãoPrecisamos de uma sociedade onde não se pense que uma mãe que está de licença esteve de férias, uma sociedade onde os avós, com a reforma cada vez mais distante, tenham tempo para cuidar dos netos. Precisamos de uma sociedade que se vire para a família, para as crianças, para as mães, para os pais, para os avós. Com licenças de parentalidade alargadas, políticas de emprego que promovam a flexibilidade de horário e o trabalho a partir de casa, benefícios fiscais, redução de horário para todas as mães ou pais com crianças até 2 ou 3 anos (e não apenas as que amamentam).

Precisamos, sobretudo, de mais respeito pelas mães, pelas famílias. Esta lógica de trabalho, trabalho, trabalho, lucro, lucro, lucro, não serve mais.