Papas com açúcar, por Carlos González

Queremos começar a dar cereais ao Jorge, o nosso filho de seis meses. Surgiu-nos, no entanto, uma dúvida: se geralmente se recomenda não acrescentar sacarose aos alimentos infantis, porque motivo as marcas comerciais de papa têm sacarose adicionada? Seria preferível que não a tivessem ou é indiferente? Continuar a ler

O meu filho é mau para comer, por Carlos González

Sou mãe de um menino de 3 anos e meio e de uma menina de seis meses. Ambos são maus para comer. A pediatra disse-me que são inapetentes, ou seja, nunca têm apetite. Gostaria de receber orientação sobre bons hábitos alimentares e como nutrir crianças inapetentes sem ter um ataque de nervos. Será assim tão mau obrigar as crianças a comer? Que devo fazer? Estão sempre abaixo do seu peso.

Obrigada.
Imaculada

Querida amiga:

É, de facto, péssimo obrigar as crianças a comer. É uma afronta, uma ofensa, um desrespeito e uma humilhação. E, acima de tudo, fá-las sofrer.

Obrigar uma criança a fazer algo que é bom para ela, como ir para a escola ou lavar os dentes, também é mau: é sempre preferível dar exemplo, explicar-lhe o motivo ou pedir-lhe por favor. Mas obrigá-la a fazer algo que a rejudica, como atirar-se contra uma parede ou comer mais do que precisa é o cúmulo.

Comer mais do que eles já comem é prejudicial para os seus filhos. A quantidade que comem é exatamente a de que necessitam e comer mais só lhes faz mal. Como posso saber que comem aquilo de que necessitam? Por via indirecta, porque estão saudáveis e bem nutridos. (E como poderei saber se estão saudáveis e bem nutridos? A resposta está na sua carta. Se estivessem doentes ou mal alimentados não esqueceria de o referir.) Sei que comem o que é preciso porque me disseram. Ou melhor, disseram-lhe a si e você contou-me. Disseram-lhe uqe não querem comer mais porque não têm fome. O único motivo pelo qual uma criança saudável não tem apetite é porque já comeu o suficiente.

Sendo assim, o que a leva a crer que eles comem pouco? Há uma diferença entre o que eles precisam de comer e o que você pensa que eles precisam. Por outras palavras: está enganada. Não sei o que instilou essa ideia (um livro, ou a comparação com um bebé mais corpulento da vizinhança, por exemplo), mas, de qualquer modo, os seus filhos precisam de comer menos do que pensa. Se comessem tudo o que você quer, ficariam doentes. Você não se contentaia se eles comessem mais 5 por cento – se fosse esse o caso, não se daria ao trabalho de nos escrever. Não se contentaria com o facto de, em vez de cinco colheres, dar à sua filha cinco colheres e um quarto (quantidade que equivale a 5% e é suficiente para a tornar obesa). Na realidade, a sua filha come cinco colheres e você gostaria que ela comesse dez ou talvez vinte: o dobro ou o quádruplo. Se a sua filha comesse todos os dias o dobro do que necessita, morreria (e, se pelo contrário, tivesse comido todos os dias metade do que precisa, já tinha morrido há muito tempo).

O método para alimentar as crianças inapetentes (ou seja, normais) é muito simples: servir-lhes a comida e deixá-las comer o que lhes apetecer. Nem mais, nem menos. Como o fazer sem sofrer um ataque de nervos? Pois bem, isso depende da facilidade com que cada um de nós se enerva. Há mães que vêem televisão, outras fecham-se na casa de banho, outras preferem cerrar os dentes e contar até dois milhões… Seja como for, não perca a paciência: não faça o aviãozinho com a colher, não lhes grite nem os castigue, não os ameace nem os chatageie, não tente suborná-los com recompensas nem prometa nada…

Penso que um dos meus livros, Mi niño no me come, a poderá ajudar.

Não sei se reparou, mas o seu discurso apesenta uma inconsistência lógica. Diz-nos: “Está sempre abaixo do seu peso”. Impossível! A criança A pode estar abaixo do peso da criança B mas não pode estar abaixo do peso ideal da criança A. O que os seus filhos pesam é o peso “deles”, é uma característica pessoal. Se os filhos das vizinhas pesam mais, pior para eles, porque, para além de não serem tão bonitos como os seus, são “pesados”. Prefere que eles pesem mais ou menos do que os filhos das vizinhas?

Espero que esta informação se revele útil e que desfrute de momentos maravilhosos com os seus filhos.

Carlos González in Pergunte ao Pediatra

Carlos González, dia 28/10, Cascais. Inscrições até dia 25 em mimami.org
Humanos_cartaz_programa 28-10