2017 numa casquinha de noz

Passou 1 ano, mas parece que foi outra vida.

Há 1 ano ainda era professora universitária em marketing. A minha bebé ainda não tinha completado 1 mês e eu estava a dar aulas. Só me ausentava uma manhã por semana, apesar do convite para acompanhar teses de mestrado, ter um contrato a tempo inteiro… Mas passei muito tempo em casa a preparar aulas e corrigir trabalhos e testes. Ouvi que “é importante que ela se comece a habituar a estar sem a mãe”. Extraí leite num WC. A campaínha do abuso soou tanto que ficou dormente. Até que disparou um alarme bem alto. Depois de um semestre, decidi não continuar. Encerrei este capítulo em janeiro de 2017.

Em fevereiro, lancei uma semente: convidei o pediatra Carlos González para vir a Portugal, pois tinha o sonho de o conhecer pessoalmente. Em fevereiro também, comecei a trabalhar as minhas questões com o abuso, com a terapeuta Xuxuta Grave.

Em março, quase perdi a minha mãe.

Em abril, num retiro em Évora, com a doula Luísa Condeço, (re)encontrei-me.

Em maio, (re)encontrei o meu pai. Em maio, a vida também me presenteou a oportunidade para me libertar, de novo, do abuso. Para ser leal a mim própria. Confiei no meu poder pessoal e percebi que não precisava de uma marca detida por outrém ou de me juntar a grupos de pessoas com uma energia que não era a que desejava para mim. É maravilhoso quando sentimos o medo, confiamos na vida e avançamos.

Em junho, (re)descobri-me como mulher. Tirei tempo para mim e para explorar a minha sexualidade, num curso com a parteira Naoli Vinaver. Fui turista em Berlim e foi fantástico voltar a viajar.

Em julho, (re)nasci numa cerimónia de parto dinâmico com o terapeuta Jason Baker. Em julho, entrei em contacto com a perda gestacional: não só a formação com a Heidi Faith (SBD Doula) mas, sobretudo, na vida real, com a família da Cláudia e do João. Trabalhar em rede e largar o apego, com foco no que é melhor para quem nos procura.

Em agosto, celebrei 1 ano de mãe da Bia. Recolhi e vivi a vida na praia, em família.

Em setembro,  voltei a renascer, com a parteira Lurdes Rodeia. E re(nasci) como doula também, ao concluir o curso avançado da Rede Portuguesa de Doulas.

Em outubro cheguei aos 36. Dei à luz a conferência HUMANOS, rodeada de amigos maravilhosos com quem trabalhei.

Em novembro, encontrei o caos. A vida a oferecer-me oportunidades para eu estabelecer os meus limites e dedicar-me ao auto-cuidado sem culpa.

Em dezembro, trabalhei, muito. A vida a oferecer-me oportunidades para eu perceber que trabalhar como doula apaixona-me e faz-me vibrar, que há mil projetos que desejo que nasçam, mas que o tempo nunca parece chegar.

2017 foi o ano que mergulhei em mim. Remexer no meu passado, honrar o novelo que é a minha vida, olhar para o presente como um presente. Para 2018 desejo muitas emoções, desejo nutrir-me mais, desejo definir melhor os meus limites (a começar por mim própria), largar a culpa que nada me trás. Ou ter a sabedoria para a compreender e deixar ir.

2017 foi o ano em que estive a tempo inteiro com a minha filha Bia, ao mesmo tempo que acompanhei mais de 20 famílias, organizei uma conferência, fiz várias formações. Lancei muitas sementes. Foi o ano em que me aceitei mais como mulher, me amei mais na minha pele, senti que a vida tem possibilidades (quase) infinitas.

2018, podes vir! ‘Bora fazer magia! <3

      

 

Foto de Dora Almeida.

Foto de Dora Almeida.

Foto de Mimami by Doula Cristina Cardigo.

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