Ontem fui dar um beijinho ao Ben

20h16 – Marcava o relógio quando comprei o bilhete para o concerto. Passado um pouco, adormeci a Bia, passei-a para o colo do pai, contei história ao Gui. Eram 21h quando saí de casa, os 3 deitados na cama de casal com o berço em side-car.

Saí sozinha. A primeira vez que fui a um concerto sozinha. 

Das coisas que mais saudades tinha de fazer desde que o Gui nasceu: ir a concertos (concertos mesmo, não sou fã de festivais) e ver o Benfica. O último concerto que assisti foi em Dezembro de 2011, Smashing Pumpkins, no Campo Pequeno, e foi memorável! Uns meses mais tarde iria engravidar do Gui e não voltámos a sair à noite, dada a dificuldade que ele tinha em adormecer sozinho.

Ou seria porque não tínhamos a coragem de nos divertirmos? 

E porque escrevo no plural e não no singular?

Dei por mim a pensar na quantidade de vezes que boicotamos o prazer na nossa vida, sobretudo se desejarmos usufruir dele sozinhos. Por egoísmo, por culpa, por vergonha. Mal de nós pensarmos sequer em fazermos algo por nós!

Quando é trabalho ou formação a decisão é mais fácil. Porque “tem de ser”, porque “é o meu futuro”, porque “é trabalho”. Este ano, foram várias as vezes que o meu companheiro ficou durante o dia inteiro com os nossos filhos para que eu pudesse dedicar-me a formação. E, imagine-se, ele tem mesmo gosto em ser pai e em trabalharmos em equipa, não é frete nenhum ficar com os seus filhos! Claro que há desafios, todos sabemos que criar filhos não é fácil… Por isso, a quem diz “a Cristina que tenha cuidado porque um dia o David cansa-se e põe-se a andar” só posso sugerir que reflita no porquê de ser um pai e companheiro ausente. É que, embora seja precisa alguma coragem, pode ser uma descoberta incrivelmente maravilhosa, esta de se ser um homem mais completo.

Este meu companheiro de vida estava entusiasmado e queria muito oferecer-me o bilhete. Mas eu sentia que não era justo ir a um concerto e ele ficar com os miúdos. Que estava a ser egoísta. Também sentia medo de conduzir de noite. Ia para Lisboa, ainda podia ser violada num beco ou assim (!). E depois o que iria ficar no ar? Ah pois, foste para a borga… se tivesses ficado em casa isso não teria acontecido!

Uma amiga minha viajou pela América do Sul sozinha. Outra, foi recentemente a Cuba com as duas filhas (que têm a idade das minhas). E eu estava a impedir a minha própria ida ao Coliseu?

É tão importante e maravilhoso mergulhar nos nossos receios. Assumir a responsabilidade pela nossa vida e pela nossa felicidade, assumir as nossas escolhas (não fazer nada também é uma escolha). E parar a culpabilização ou vitimização. Porque quando ficamos irritados com uma mãe ou um pai que deixa os filhos para se divertir ou até para trabalhar, isso pode significar que algo está a mexer com as nossas próprias feridas.

Somos nós que não temos a coragem de cuidar mais de nós próprias? Sentimos abandono quando alguém decidiu fazê-lo e deixar-nos? Receamos que os outros se sintam abandonados? Tememos que nos deixem de amar e nos abandonem? Ou, tão simplesmente, não ousamos assumir as rédeas da nossa vida e sermos felizes?

O concerto foi giro mas toda esta experiência de auto-conhecimento foi muito melhor. Fui, passeei pelas ruas de Lisboa (demorei uns 40 minutos a encontrar estacionamento até que decidi estacionar ao pé do Marquês e ir a pé), senti o ar de uma bela noite de verão, entrei no Coliseu, ouvi a música, furei a plateia e, quando me senti plena, regressei a casa.

Os meninos dormiam. Conversei um pouco com o pai e fomos dormir também. A mãe acordou com a barrinha de energia mais cheia. E com a barrinha do amor (pelo companheiro mas sobretudo por si própria), da confiança, da felicidade também.

Porque estar acompanhada é maravilhoso. E estar sozinha (connosco próprias) também.

E tu, também boicotas a tua felicidade?

A candle throws its light into the darkness
In a nasty world, so shines the good deed
Make sure the fortune, that you seek
Is the fortune you need

So tell me why, the first to ask, is the last to give, every time
What you say and do not mean
Follow too close behind

‘Cause she had diamonds on the inside
She had diamonds on the inside
She wore diamonds on the inside

assinatura blogue cristina cardigo

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