O Tesouro

Todos os bebés nascem com um baú. É resplandescente, novo, cheio de preciosidades. À nascença, este baú representa toda a abundância e amor que existe num universo de possibilidades infinitas. Tem uma importância tal que determina a riqueza que este bebé irá possuir ao longo da sua vida.

No início, o baú é fácil de aceder e todos podem observar o que está lá dentro. Cedo, quem rodeia o bebé descobre a sua doçura e gentileza. Depois, descobre-se também o seu génio, a personalidade. Há bebés mais tenazes do que outros, que fazem questão de bem demonstrar a sua vontade.

Neste baú cabe a generosidade, a empatia, a bondade, a cumplicidade e o amor. Neste baú, cabe também a obstinação, a persistência, o egoísmo, a fúria. É um baú onde encontramos características do bebé e as suas emoções, face aos outros e a ele próprio. Há uma jóia que brilha muito, bem colocada no centro: é a auto-estima. Aquilo que sentimos por nós próprios, se nos amamos ou se achamos que somos um falhanço.

Esta é a jóia que deve ser melhor cuidada. Incrustrada na auto-estima está uma pedra preciosa: a auto-confiança. Quando nos amamos, confiamos em nós, naquilo que somos. Abraçamos o nosso lado luminoso mas também o lado mais sombrio. Todos temos uma sombra e de pouco adianta ignorá-la ou evitá-la. É porque existe o sol que existe a sombra.

Todos os baús são diferentes, mas todos eles estão carregados de pedras preciosas. À medida que vamos crescendo, quem nos rodeia pode ensinar-nos a cuidar do nosso baú. A retirar o pó e as teias de aranha regularmente, a organizá-lo e também a aceitar a sua confusão. A amar as pedras mais brilhantes mas também os seixos e eventualmente algum cascalho que exista por lá.

No baú de cada um existe sempre algo que incomoda quem nos rodeia. Porque a criança grita e não pode gritar, mesmo que esteja num parque a jogar à bola. Porque a criança teima em tirar o chapéu e não pode tirar (e bate porque é contrariada e em resposta batem-lhe também). Porque a criança ousa brincar com um brinquedo que é da posse de outra criança e é preciso ensinar a posse dos bens materiais a uma criança.

Porque há crianças que são livres e é urgente ensinar a que se comportem.

E estas crianças crescem a ouvir repetidamente a palavra Não! Crescem a achar que são sujos, simplesmente porque sujam a roupa quando comem ou quando brincam na terra. Crescem a achar que são feios porque não dão um beijinho ou que são incapazes de amar porque não aceitam um beijinho. Crescem a achar que são burros porque há sempre alguém a mostrar que estão a fazer algo errado. Em cada comentário, a rejeição, a humilhação. Há sempre alguém a limitar e corrigir, como se corrigir fosse sinónimo de educar.

Cuidemos, todos, dos baús das nossas crianças. Cuidemos, também, do nosso baú. Por vezes, está enferrujado, cheio de pó e crenças que nos limitam. Mas a sua essência é maravilhosa… entrar em contacto com o nosso poder pessoal, protegê-lo, expandi-lo, é honrar a nossa vi(n)da. O que seria se todos nos amássemos tal como somos?

assinatura blogue cristina cardigo

Partilha o que te vai na alma...

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s