Sobre os partos naturais, os nascimentos Bio e o empoderamento da mulher

Não querer amamentar ou não querer parir naturalmente. Escrever sobre isto de forma crítica, assertiva, agressiva quiçá. De vez em quando aparecem opiniões contrárias às minhas, quem diria. Em tempos enervei-me, queria responder de uma assentada, sentia-me a corroer por dentro. Injustiça, era o que sentia.

Hoje voltei a ler um desses textos, bem na diagonal, pois sabia que pouco poderia trazer de positivo. E sim, muitas vezes na vida, opto por eliminar o que sinto não ser bom para mim. Creio chamar-se maturidade. Vamos caminhando, encontrando pessoas com sentires diferentes dos nossos. Dou por mim a questionar que emoções estarão por trás do azedume, quando o encontro. Muitas vezes, é o meu próprio azedume que começo por questionar.

E é por isso que o trabalho emocional que uma doula pode fazer é algo fundamental. Primeiro, consigo própria. Depois, com quem queira fazê-lo com ela.

O trabalho emocional não é um bicho-papão. Há quem diga, entre doulas, que é melhor não remexer nas feridas, porque podemos despoletar algo que depois não saibamos controlar.

Daí a importância da sensibilidade. Do bom-senso. No fundo, trata-se de respeito. Questionar a mulher com gentileza para aceder às suas emoções, de forma a que ela própria encontre em si as suas respostas. Uma escuta reflexiva com devolução do que as mulheres nos dizem.

O primeiro passo para se perceber o que é trabalho emocional é passar por ele próprio, aplicá-lo na sua vida. O meu começou quando iniciei a formação de doula, com a Rede Portuguesa de Doulas, com mais de 100 horas (muito trabalho científico, muito trabalho emocional). Quando terminará? Provavelmente, no dia em que morrer.

Estar focada na minha missão de vida e no que pretendo fazer profissionalmente ajuda a separar as águas. Não gosto do conflito, mesmo que ele por vezes seja necessário e nos traga uma oportunidade de aprendizagem.

Leio, reflito no que sinto. E sinto que há muitas pessoas que ainda não vêem com bons olhos a minha profissão, aquilo em que acredito e que defendo. E está tudo bem.

Evangelizar os ateus é perda de tempo. Cuidemos de quem procura ser cuidado.

Doular é não é luta. Doular é amor.

E o nascimento, seja de um bebé, seja de uma mãe, é importante demais para não ser com amor. Naturalmente, o amor. 

Que os nossos medos nos guiem e nos façam crescer.

(O artigo que despoletou a escrita deste texto pode ser lido aqui.)

assinatura blogue cristina cardigo

One thought on “Sobre os partos naturais, os nascimentos Bio e o empoderamento da mulher

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