Márcia, a minha doula

Olhos curiosos e um sorriso gentil. Foi sempre assim que te vi. Há um ano, quis a vida que nos cruzássemos de novo. Uma conversa informal sobre uma obstetra que conhecias, um convite para fazer yoga contigo, momentos de ternura e de partilha no curso da parteira Naoli. E eu, que até já tinha uma doula, vim para casa sonhar contigo. Estive uma semana a desejar estar contigo, conversar contigo, que fosses tu a doular-me. Durante uma semana fomos falando pelo chat. E eu a sentir que estava a cometer adultério. O meu coração, todo o meu corpo, dizia que era contigo que queria estar.

Depois do parto, perguntaste se podia escrever um testemunho sobre o teu trabalho. Disse que sim, sem hesitar. Mas a palavra testemunho não me trazia coisas boas à mente. Hoje percebi que o que eu queria escrever era uma carta de amor. A meio da noite, a segunda seguida sem dormir bem, abri a janela e senti um misto de frio e calor, um cheiro de verão, que me levou para a madrugada de 12 de Agosto. Lembrei o nosso abraço, a perda de líquido naquele momento, o teu conforto e atenção sempre presentes.

A tua gentileza e presença constante conquistaram-me desde cedo. Senti-me muito acarinhada. Senti que contigo podia falar sobre tudo, sem o receio de me julgares, afinal também eu tinha formação de doula. Antes da doula, era a grávida, a mulher, que procurava o teu apoio. Chegaste ao nosso lar e fizeste logo equipa com o David. A doula não substitui ninguém, a doula está presente, a doula é inclusiva. E tu foste sempre tudo isto e muito mais, de uma forma fluida e generosa.

Olhava para ti e pensava é assim que eu quero doular. Além do apoio e presença, mostraste-me a energia calorosa que uma doula tem. Desde as 36 semanas que sentia os ameaços do trabalho de parto e com, paciência e carinho, estiveste sempre lá para mim. Nas últimas semanas, quando eu duvidava de mim e do meu corpo, reforçaste sempre a minha confiança. E eu que não queria incomodar-te a meio da noite, liguei-te de madrugada para vires ter connosco… Era o momento da Bia nascer. A minha alegria era imensa, não sei como estive em trabalho de parto com tanta conversa animada. Mas quando vinha a contração, estavas sempre ali, as tuas mãos na minhas dores, alternando com as mãos do David. O óleo, o aroma a alfazema, a presença, o carinho. A resistência no duche. A atenção aos pormenores. Márcia significa guerreira, mas tu não és luta, és amor em estado puro. 

A Bia nasceu e estavas lá assim que regressámos ao quarto. Apetecia-me dizer Tragam o pequeno-almoço, é hora de celebrar! Foste descansar um pouco depois. Mas estiveste sempre presente. No dia da alta, a suspeita de infeção no umbigo, a pressão para dar leite artificial… estavas lá comigo, quando desabei a chorar. E, mesmo depois de ires de férias com a tua família, estiveste sempre presente à distância, enquanto estivemos internadas no hospital.

Minha querida amiga Márcia, que alegria as nossas vidas se terem cruzado! Foste parte fundamental do parto maravilhoso que me trouxe a bebé Bia, a renovada mãe Cristina, e a doula que procuro ser. Gosto muito de ti! Que continues a apoiar muitas famílias e bebés a chegarem a este mundo de forma delicada e feliz!  

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One thought on “Márcia, a minha doula

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