Vender a alma ao diabo?

Eu sou do marketing. E também sou da amamentação.

Tenho o bom-senso de perceber que ainda bem que existe leite artificial. Que os bebés já não têm que beber leite de vaca em natureza ou leite condensado (como o rico pediatra que me acompanhava aconselhou a minha mãe, decorria o ano de 1982…).

Que há mães que não querem amamentar. E está tudo bem, se o seu coração estiver tranquilo e feliz.

Eu também tenho a clareza de espírito de perceber que há mães que querem muito amamentar, mas não conseguem. Seja porque o parto foi traumático, o pós-parto um pesadelo, ou porque não foram bem orientadas e apoiadas para uma amamentação tranquila e bem-sucedida. Ou porque não tinham uma boa rede de apoio.

Também sei que, aquando da introdução da alimentação complementar, a maior parte das famílias tenta oferecer o melhor possível aos seus bebés. Compreendo que os boiões possam ser úteis a algumas mães e facilitar a sua vida.

Mas é por isso que temos que aceitar que tudo é normal e legítimo?

O leite artificial deveria ser dos alimentos com mais investigação científica, de forma a se encontrar a melhor fórmula possível para os bebés. Sabendo que nunca estaria ao nível do leite materno, mas seria um alimento de topo, para que todos os bebés tivessem o melhor começo de vida. Depois, seria comercializado através de prescrição médica e sem qualquer marca.

Quando o bebé começa a alimentação complementar, o meu bom-senso olha para uma banana ou para uma caixinha com mirtilos e vê um snack bem mais saudável e económico do que um boião.

Vamos refletir?

As empresas são instituições que visam a maximização do lucro. E usam o marketing para captar clientes. E, muitas vezes, o marketing passa por escolher pessoas tidas como líderes de opinião para influenciar o público-alvo. A mensagem é (quase) sempre subliminar, outras vezes é mesmo à descarada. Quem melhor para promover leite artificial? Uma pessoa que seja conhecida por promover a amamentação e advogue a liberdade de opinião, como se todas as escolhas fossem idênticas. A economia de mercado e a concorrência livre entre produtores leva à oferta de um produto superior (eventualmente a um preço mais baixo). Com o leite artificial não é assim: é um produto mais caro e inferior ao leite materno.

É importante escrever, falar, divulgar, sensibilizar para a importância de partos humanizados e apoio competente na amamentação. Contar histórias de sucesso, contar histórias de terror que afetam tantas mulheres e famílias. Sobretudo, é fundamental que a sociedade (que somos todos nós) perceba que é preciso toda uma aldeia para criar uma criança.

Não me canso do chavão. Porque as mulheres, as mães, os bebés, as famílias, merecem muito melhor.

assinatura blogue cristina cardigo

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