A história da Ana

Oito semanas com este anjinho nos braços… oito semanas de um amor tão grande, uma incredulidade imensa por ter conseguido fabricar esta pessoinha tão perfeita, oito semanas de tantas dúvidas, inquietações e frustrações… Oito semanas de gente e seis semanas de LM em exclusivo. Obrigada Cristina Cardigo por tudo!

Fica aqui a nosso testemunho dos melhores, mas também os mais difíceis, meses das nossas vidas..

Tivemos uma gravidez super tranquila, sem problemas, com muitas viagens pelo meio e sem nenhum contratempo. O único contratempo foi o senhorzito que trazia na barriga não ter gostado muito de ver o mundo ao contrário e por isso ter ficado sentado. Assim sendo nasceu às 38+6 de cesariana. Outra vez sem qualquer problema. Sim, o pós-parto não foi fácil, mas o R. tem o melhor pai e eu um super marido que esteve sempre lá ao nosso lado e não nos deixou faltar nada..

Foi no segundo dia que começou a nossa primeira batalha – a amamentação… por mais informação que tivessemos não estávamos preparados. Tínhamos a ideia romantizada da amamentação. Sabíamos que era lindo, natural, o melhor para o nosso bebé. Achávamos que era só o bebé nascer, pôr à mama e já estava. Acredito que o seja para muitos, para nós não foi e realmente não estávamos preparados para que não fosse. Na segunda noite na maternidade, depois de estar com o bebé ao peito durante 2 horas, com uma dor aguda insuportável chegou a enfermeira para dar LA ao pequenito. Pedimos para que não desse com biberão para o bebé não se habituasse à tetina, exprimentou com a seringa 2 minutos, como o bebé não estava a aceitar, pumba, 40ml de LA com biberão… No dia seguinte fomos os 3 para casa, a dar LA, com os mamilos em sangue e muito choro. Choro de dor e choro por não conseguir dar ao meu bebé o que era melhor para ele.

Logo nesse dia fomos visitados pela Cristina. Ajudou-nos logo a acalmar e fazer ver que nada estava perdido para amamentação materna. Ajudou-nos a prioritizar as etapas e estabelecer um plano para alcançar o nosso objetivo: LM em exclusivo, directamente da maminha. Para já, uma etapa de cada vez:

1. Sarar os meus mamilos para conseguirmos ver o que se passava com a pega;
2. Usar métodos alternativos à tetina do biberão para não “habituar” o bebé e evitar que depois não pegasse na mama;
3. Controlar a subida de leite e não perder produção enquanto os mamilos não estivessem sarados.

Como tinha uma bomba de extração emprestada e como a bomba não magoava os mamilos começamos logo nesse dia a extrair. Não saía quase nada claro, ainda não tinha tido a subida de leite, mas o que saía guardávamos e dávamos com uma colherzinha intercalando com LA. Entretanto ao fim de uma semana fomos parar às urgências pois o R. não estava a comer o suficiente e estava com níveis de icterícia muito elevados. Voltámos para casa outra vez com biberão e uma maior dose de LA… Já não era sustentável continuar a dar a quantidade que o R. precisava à colher.

Depois veio a subida de leite e a Cristina veio-nos visitar outra vez. Conseguimos “desbloquear” as mamas com massagens, banhos quentes e extração com bomba. Nessa visita concluímos também que o R. fazia mal a pega porque não conseguia abrir a boquita o suficiente pois tinha o maxilar inferior ligeiramente para dentro – aparentemente comum aos bebés que nascem de cesariana. Aí a Cristina falou-nos num método de alimentação alternativo – o dedo + sonda. Punhamos o dedo mindinha na boca dele e a sonda a sair de um biberão. A maneira de chupar é mais parecida com a mama e ele é obrigado a puxar o leite ao contrário das tetinas de biberão. Visitámos um Osteopata, fomos fazendo exercícios com o dedo para ajudar o R. a melhorar a pega e íamos sempre tentando que o Rafael pegasse na mama mas ele continuava com a pega errada e sempre que ficava na mama mais de 2 minutos parecia que voltava tudo ao ínicio… Estivemos nisto durante um mês.. eu a tirar leite com a bomba de 3 em 3 horas, o pai a dar leite com a sonda de 3 em 3… não dava sequer para fazer turnos porque se eu não tirasse leite i) não tinhamos LM suficiente; ii) ficava com as mama ingurgitadas.. Ensinámos a avó a dar com o leite com sonda para o pai conseguir dormir algumas horas de manhã. A juntar a isto a logística toda de lavar as peças da máquina, os biberões, o sufoco de ir à rua – tinha de conseguir tirar leite mesmo antes de sair e não podia estar mais de 3 horas fora de casa sem a bomba… Os comentários reprovadores da família sobre a nossa “nova moda de dar de comer” ao bebé… “fica cheio de cólicas por causa disso”, “vai ficar com a boca arranhada”, “coitado sofre tanto por comer assim”….

Foi difícil, muito difícil… estivemos muitas vezes quase a desistir, principalmente nos dias mais complicados em que a exaustão era muita.

E o meu receio mais próximo: a viagem de avião de 8 horas que tinhamos de fazer às 6 semanas… Passou o sufoco de conseguir ter leite para a viagem pois conseguimos fazer stock para 16 horas (caso houvesse atrasos no aeroporto de partida e no de chegada) mas continuava o sufoco de pensar que teria de usar aquelas casas de banho minúsculas e mal cheirosas do avião para tirar leite para não ficar com as mamas em pedra.

A Cristina sempre a dizer para não desanimarmos, que por volta das 6-8 semanas os bebés consigam melhorar a pega e voltar à mama, que íamos conseguir..

Uma semana antes da nossa viagem o R. começou a pegar melhor na mama e 2 dias antes já tínhamos conseguido fazer as mamadas todas do dia na mama e sem ter de dar suplemento de LM a seguir!

A viagem? Super tranquila… levámos o nosso stock de leite congelado caso fosse preciso e veio directo para o congelador aqui de casa. O R. só esteve na maminha durante a viagem, não foi preciso usar nenhum saquinho e eu não tive de usar a bomba

Já estamos há 2 semanas a beber LM da maminha, a bomba já só a vejo uma vez por dia (começa agora o stock pois tenho de voltar ao trabalho daqui a 1 mês) e tão tão contentes por termos chegado até aqui!

Por isso, OBRIGADA Cristina! Obrigada por não nos deixares desanimar, por nos ajudares passo a passo, por não nos julgares naquelas vezes que estavamos tão cansados que tivemos de usar o biberão…

Fica assim aqui o nosso testemunho e espero que ajude quem precise…

A todas as mães e pais que estão a passar pelo mesmo que nós: não desistam.. peçam ajuda e acreditem que vão conseguir!

A todas as mães e pais que passaram e infelizmente não conseguiram amamentar: não se sintam culpados! De certeza que fizeram tudo o que puderam e tomaram a decisão mais acertada para vocês e para o vosso bebé.. No final do dia, um bebé feliz e alimentado é o que importa!

A todas as mães e pais que felizmente não tiveram de passar: há famílias para quem o processo de amamentação não é o processo natural e feliz que devia ser. Não as julguem, não dêem palpites, não olhem de lado quando tiverem a dar um biberão de LA ao seu bebé. Ofereçam um ombro amigo e perguntem se querem ajuda para ultrapassar o que estão a passar.

Por Ana Barbosa Rodrigues

 

One thought on “A história da Ana

Partilha o que te vai na alma...

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s