O pós-parto do Gui

Um bebé tranquilo, que dormia a noite toda, não chorava e ia ao colo de toda a gente com satisfação. Estão a ver como é um bebé assim? Eu também não. Esta não era a descrição do meu Gui.

Duas semanas após o parto, fiquei internada no hospital por 8 dias, com umas febres malucas que teimavam em não passar. 3 antibióticos diferentes para a veia, mais o soro, mais um bebé para amamentar, num hospital em que só podia ter o acompanhante comigo entre as 12h-20h. Sabem a tortura do sono nazi? Assim estava eu. Ou era ele que me chamava, ou era a enfermeira que vinha, ou a auxiliar que se lembrou que devia despejar o lixo a meio da noite. 8 dias depois, eu implorei para ir para casa. Ah, mas ainda tem 37,5º, disse a médica, sem vontade de me dar alta. Mas eu moro mesmo ao lado do hospital, se piorar eu volto, prometo!!

Nesta semana, o Gui não ganhou nem perdeu um único grama. O meu bebé de 3,500kgs, percentil 50, estava a descer de percentil. Tanto que bateu no percentil 3. Em casa, passou a um ganho de 14g por dia. O seu médico, amigo da amamentação, prescreveu suplemento após a mamada. E nós, obcecados pelo ganho de peso, até uma balança comprámos para o pesar em casa.

O Gui era um bebé enérgico, um banana baby, comprido e magro. Hoje sabemos que com o seu metabolismo era impossível que fosse um bebé gorduchinho. Tem quase 4 anos e manteve-se ali no P10-25. Activo e fantástico, como o seu pai. Para quê a ansiedade?

Ora, quando temos um bebé nas mãos, sobretudo se é o primeiro filho, tudo nos aflige. Queremos que cresça forte e saudável. E eu só sentia que o meu leite não era suficiente, por muito que ouvisse que não há leite fraco (e não há! o que há são bebés que não sabem mamar e mães que precisam de mais apoio!)

E os meus dias foram assim… de pijama, em casa, olheiras até aos joelhos, a comer mal, com dores nas mamas, e a torcer para que ele dormisse muito para eu não ter que amamentar. Quando bebia o suplemento, engasgava-se, rejeitava o leite, parecia um perú a ser engordado para o patê. Foram 3 meses deste suplício.

Ao mesmo tempo, a família e amigos queriam muito conhecê-lo. Oh pa, era um bebé, que come, dorme e chora (muito!), o que há para ver? Alguns foram pacientes e esperaram pela hora certa, outros usaram estratégias menos próprias para se infiltrarem, outros ainda amarraram o burrinho e fizeram birra. Acho que muito poucos perceberam o que estava a ser o nosso pós-parto… imaginavam que ele dormiria o dia e noite toda, enquanto eu pintaria as unhas e via novelas.

Respeito! Muito respeito pelas famílias em pós-parto é aquilo que elas merecem! Famílias, amigos… ofereçam-se para levar comida feita (crua não dá muito jeito mas sempre é melhor que nada, desde que a família não tenha o fogão estragado e vocês cozinhem e lavem a loiça no final), para dar uma limpeza em casa, levar a roupa para lavar/passar, passear o cão ou deitar o lixo fora. Se a mãe quiser, ofereçam uns braços extra para dar colo enquanto ela toma banho, descansa ou come uma refeição decente. Também podem oferecer os mesmos braços para dar colo à mãe e isto pode incluir cafuné e massagem nos pés. Mas não roubem o bebé para que ela possa ir aspirar ou lavar a loiça!

E lembrem-se… aquela mulher passou de grávida maravilhosa para gorda, descabelada hormonal e com muito sono. Assegurem-lhe que esta fase vai passar. Que não tem que recuperar a forma em 3 meses ou voltar a trabalhar no dia a seguir ao parto. Que deve aproveitar o seu bebé, cheirá-lo muito, abraçá-lo ainda mais… porque para o mal e para o bem, tudo isto vai passar. Que o pós-parto seja um momento de boas vivências e de vinculação entre pais filhos… isso sim é o essencial.

18 thoughts on “O pós-parto do Gui

  1. Anónimo diz:

    Exatamente assim!!! Com a agravante que do segundo fiz mastite!! 😞😞
    O mais velho ganhava 100gr/mês!! Os dois sempre com suplemento!!
    E se o mais velho até dormia qualquer coisa, o mais novo não dormia!!!

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  2. Anónimo diz:

    Desculpe gostei do texto mas essa do auxiliar que se lembrou de despejar o lixo a meio da noite..eles estão a fazer o trabalho deles, se o fazem é porque são obrigados ou faz parte do seu papel no hospital.

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  3. salete diz:

    Muito real imaginem com umas gêmeas como primeiro filho, mama, suplementos ,e visitas todos os dias durante 3 longos meses a qualquer hora ….até as 21h e mais tarde chegaram a vir….onde durante 1 mês de noite dormia 1h tratava duma,dormia outra hora tratava outra….estava a ficar doida e com um marido maravilhoso que ajudava em tudo…mas era eu k dava mama…. muito respeito pelas mães recentes

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  4. salete diz:

    Muito real imaginem com umas gêmeas como primeiro filho, mama, suplementos ,e visitas todos os dias durante 3 longos meses a qualquer hora ….até as 21h e mais tarde chegaram a vir….onde durante 1 mês de noite dormia 1h tratava duma,dormia outra hora tratava outra….estava a ficar doida e com um marido maravilhoso que ajudava em tudo…mas era eu k dava mama…. muito respeito pelas mães recentes

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  5. Inês diz:

    Ceus como entendo! Estive 15 dias depois do parto internada, 7 dos quais com o meu bebé (esteve internado 7 dias antes)… e quando eu achava q iamos descansar era quando entravam pelo quarto c os antibioticos, a maquina de medir a tensão e mais uns comprimidos! E la ia eu levar na veia como gente grande. Entretanto o bebé queria mamar. Chamava alguém p o por perto de mim e nada (as minhas veias sao tao boas q tinha de ficar imóvel naqueles instantes ou o liquido não corria). As tantas já o tinha 24h sobre 24h em cima de mim em modo self service, fora quando tinham de o tirar para me drenar a cicatriz que entretanto abriu e infectou… tudo isto num quarto isolada. Quando tive alta ate pensei q era mentira… mas quando cheguei a casa foi pior… Visitas, socializar, terem de ver o menino que já tinha 15 dias… e eu ainda coxeava agarrada à barriga, tinha umas olheiras até os joelhos e ainda cheirava a hospital! 😈😡

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    • Anónimo diz:

      Tenho três filhos nunca passei por essas lamechisses sou do tempo que eles nasciam e logo temos marido e bébé para cuidar casa para limpar hoje teem tudo e clamam acham que gravidez é doença por não ter máquina de lavar roupa ia para o tanque às seis da manhã enfim só só lamechisses

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  6. Cristina Cardigo diz:

    Muito grata a quem se identificou com o texto e deixou algumas palavras. :)

    A quem deitou fel, com a protecção de um ecrã, só posso desejar uma coisa: muito amor, que é disso que mais se precisa quando temos amargura no coração.

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    • Ana Liberal diz:

      Revejo-me completamente… No meu segundo parto dei de mamar durante semanas de pé porque nem me conseguia sentar… Tive complicações que demoraram a resolver… Penso quem não me conhecia também achou que era piegas… Só dá valor quem passa pelas situações e todos são muito bons a criticar… Eu passei por dois pós partos bem diferentes! Beijo. Adorei o texto!

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  7. Milene diz:

    Somos todas umas guerreiras independentemente do tempo e das condições. Fomos e somos guerreiras seja como for, nós Mulheres Criamos Grandes Homens e Grandes Mulheres pro Mundo isso é que importa. Nós Mulheres temos o Dom de Criar a Vida e isso é o que importa. Beijinhos e muita força a todas :)

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  8. Inês diz:

    Sou mãe de 4 filhos e passei por todas essas fases complicadas, mas sempre que me sentia mais cansada, olhava para a benção de ter gerado aqueles seres pequeninos, lindos e saudáveis, e recarregava automáticamente as baterias para o resto de jornada…
    Admiro muito as mães que por alguma razão tiveram filhos com problemas…, e aceitam e avançam, sem nunca se queixarem, essas sim, são grandes mães!!

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  9. Mónica T. diz:

    Olá
    Muitos parabéns pelo texto, quando o li pensei,… calma eu já vivi isto. Até a senhora que vem tirar o lixo às 5 e às 6h da manhã ( de um contentor metálico que faz um barulho imenso).
    Obrigada pela partilha, afinal eu não fui a única a viver o pós-parto com tanta intensidade, o M nasceu a 18 de novembro de 2016 (pelos vistos no mesmo hospital,… onde haviam excelentes profissionais, mas muito pobres no equipamento).
    As maiores felicidades
    MT

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