Ainda o Dia das mães (no jardim de infância)

Domingo foi o dia da mãe e o dia do trabalhador, não se falou noutra coisa senão nesta associação maravilhosa entre ambos. Tal como acontece no dia dos namorados, vi gente farta (com quem até aprendo sobre mindfulness…) do dia das mães, porque devia ser todos os dias. Ou porque é algo muito comercial. Vi um texto genial sobre o outro lado de ser mãe.

Ora, eu adoro o dia da mãe. Sou pelas tradições, pelos momentos especiais, mesmo que possam (e devam) acontecer sem hora marcada. Por aqui, tivemos um dia fantástico no Pavilhão do Conhecimento, um dia que foi longo porque de tal forma era o excitex que não conseguiu dormir a sesta (ME-DO!). Tive(mos) sorte, foi um dia feliz. Podia não ter sido, podia ter chovido, havido mil birras (de filhos e de pais), doenças, roupas para estender e o diabo a 4. Mas não, os planetas estiveram alinhados.

E, como nas celebrações ciganas, ainda tive a sorte de alongarmos a festa até ao dia de hoje, no jardim de infância. Passei muitos anos com o colo vazio e o desejo de ser mãe. E, também por isso, este é um dia muito especial. Fizemos a árvore dos afectos, com brilhantes, brilhantes, brilhantes (mais de metade ficaram no chão da sala…). Recebi presentes feitos por ele. O melhor de tudo? A alegria de saber que a mãe ia passar a manhã na escola e os olhinhos a brilhar por estarmos juntos.

Diz que o que mais gosta é de ajudar a mãe a fazer o jantar, que são batatas fritas. O que não se percebe bem, porque nunca faço batatas fritas em casa… só as comemos na rua. (Sim, sacrilégio, não tenho o filho perfeito que só gosta de brócolos e quinoa!). Diz que não gosta quando a mãe se zanga. E esta bateu cá dentro. Em Março, disse que aquilo que não gosta de fazer com o pai é brincar aos camiões, porque o pai faz cócegas. E pronto, anda uma pessoa a puxar este barco para a frente, a ser responsável pelos jantares, pelo banho, pela roupa, por ler a história a horas decentes para não ir dormir tarde, para que no dia seguinte acorde cedo e bem disposto e não seja preciso andar a correr, Gui o que queres para o pequeno-almoço?, anda comer!, vá, escovar os dentes, anda, vamos trocar de roupa, vá lá que chegamos tarde à escola!

Há momentos em que só quero parar, brincar com ele, esperar que me chamem para jantar, saber que alguém lhe irá dar banho e vestir o pijama. Mas depois vejo que não é apenas isso, é saber que alguém lhe irá lamber as feridas, alguém que cuida mas alguém que também faz de Big Ben, que impõe limites quando já passou do seu próprio limite, que consegue sentir o amor incondicional por um filho, apesar do seu cansaço, da barriga grande, da ciática, dos sentimentos de culpa por não ter um pouquinho mais de paciência ou, simplesmente, por não conseguir fazer o tempo esticar.

E pronto, não sou pelas super-mães, mas também não sei como é ser mãe de outra forma. Esperar que cresça e, um dia, no íntimo do seu coração, perceba que a mãe podia ter sido só aquela pessoa porreira que brinca, mas que sempre se preocupou em ir muito mais além.

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