Dia Internacional para Eliminação da Violência contra as mulheres, pela Catarina

Foi dia 12 de Julho que tudo começou….Nunca mais me esqueço da data. Nunca mais se esquece o dia, em que um dia a nossa LIBERDADE fica comprometida com a loucura de alguém tão narcisico ao ponto de aprisionar alguém. Não fisicamente. Psicologicamente.

Chama- se STALKING, e para quem não sabe, basta traduzir à letra: PERSEGUIÇÃO.
O inferno não é coisa de Dante. O inferno vive- se na terra , vivencia- o quem é violentado seja de que forma for. O inferno. Vivi-o durante um ano. Dia após dia.

Começou com o toque estridente de uma campainha compulsiva, e acabou no dia em que uma porta se partiu e outra se abriu: a da FUGA.

Mudei de telemóvel duas vezes.Perdi a conta às chamadas é às SMS. Perfis falsos de facebook com mensagens estapafúrdias. Mudei de casa outras duas. Era raro o dia em que não tinha bilhetes ou flores na porta, era raro o dia em que eu sabia que ele não vinha, porque ele vinha todos os dias, muitas vezes, mais do que uma vez.

Se saía tinha medo tinha medo de entrar. Se entrasse tinha medo de sair.

Sabia que se saísse e que se voltasse, ou já tinha bilhetes ou flores na porta, ou se ainda não tinha, ia ter. Estes não vinham só. Com eles, vinha o toque da campainha, a voz, os gritos, o carro, a matricula. O carro e a matricula ficam tatuados para sempre. Depois de fugir, quando via um carro igual ao dele petrificava. Demorei meses a digerir isto, até que agora apenas confirmo a matricula quando vejo um carro igual (mas confirmo). Já em segurança ele continuou a perseguir-me… Em sonhos, não pesadelos! Semana após semana. Fica lá, para sempre. E o medo não é físico, não. É aquele medo de que tudo volte de novo. Não é medo, desculpem. É terror! Terror desta paz acabar e de tudo voltar a acontecer. É que o céu é coisa de Terra também. Aqui, onde estou, encontrei o meu santuário.

Fugi para um sítio onde consigo saber que vem atrás de mim. Fugi para um sítio isolado, mas com pessoas. Foi tudo pensado. É sempre tudo pensado, tenho pensamento condicionado em não ser descoberta, NUNCA mais. Não tenho o meu número de telefone nos meus cartões pessoais e, por exemplo, restrinjo o meu perfil de facebook ao máximo. A vida muda para sempre.

Escapou o Stalker à punição, mas não escapa mais : já HÁ LEI! Já ninguém será obrigado a fugir como eu. Já há lei para este crime do qual fui vítima. Soube isso no dia do Julgamento e o meu coração encheu- se de luz, porque apesar de eu não ter conseguido, de hoje em diante outros conseguirão…

Eu sou a Catarina e sou um ser humano que, como outro qualquer nunca devia ter sido violentado. NINGUÉM deve ter a Liberdade de nos tirar a Liberdade!
Sou mãe, mulher, sou uma voz que não se calou nem nunca se calará.

Eu sou a Catarina e fui vítima de STALKING. E tu?

(aproveito para agradecer à PSP que, infelizmente, nunca fez nada de mais, aos meus amigos que fizeram muito, aos vizinhos daquelas casas número 12 e 18 ,que se acabaram por constituir testemunhas, e acima de tudo à APAV é à ASSOCIAÇÃO de MULHERES CONTRA a VIOLÊNCIA, que me acolheram, informaram e aconselharam).

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