Manifesto Mimami

 

1. Parto – Somos pelos partos naturais. O nosso propósito é que as mães decidam de forma informada e consciente. Lutamos por aquilo que, de acordo com investigação científica recente, é o melhor para mães e bebés. Se condenamos induções desnecessárias ou cesarianas electivas? Questionamos as decisões, não condenamos pessoas. Cada mãe tem a sua história pessoal, nós estamos cá para informar e apoiar. A decisão final é da mãe. Acreditamos que o parto é uma oportunidade única para a transformação da mulher. E sonhamos com esse poder para todas as mulheres.

2. Amamentação – Somos pela amamentação. O nosso objectivo é que todas as mães que desejam amamentar tenham todo o apoio necessário para terem sucesso. Sabemos que amamentar é algo natural mas nem sempre vem com naturalidade. Sabemos que nem todos os profissionais de saúde têm os seus conhecimentos actualizados e que toda a gente à volta da mãe tem uma opinião, nem sempre a mais acertada. Não estamos preocupadas com as mães que decidiram não amamentar e estão satisfeitas com a sua decisão. Queremos cuidar das mães que, de acordo com o seu instinto, querem dar de mamar e acreditam que isso é o melhor para elas e para os seus bebés.

3. Cama partilhada (Co-sleeping) – Somos pelas noites bem dormidas. Seja na cama, no sofá, sozinho ou acompanhado. Seguimos as recomendações dos estudos científicos mais recentes e preocupamo-nos com a segurança de pais e bebés que partilham a mesma cama. Sabemos que a UNICEF recomenda que mãe que amamenta durma com o filho, pois é algo que contribuirá para estender o período de amamentação. Há bebés que dormem a noite toda, no seu quarto, mal saiem da maternidade. Nós queremos cuidar das famílias que sofrem com a privação de sono. Queremos mostrar-lhes como podem descansar em segurança. Queremos dizer-lhes que podem e devem encontrar a configuração que melhor funcione em sua casa, seja mãe com filho, pai com filho, mãe e pai com filho, ou mãe, pai e filho cada um na sua divisão. Cada família tem a sua dinâmica.

4. Colo – Somos pelo colo. Sempre. Colo não estraga, não existe mimo a mais. Somos pela biologia dos animais e a nossa pede muito contacto pele com pele. Somos pelos beijos e pelos abraços. Ocitocina é a nossa hormona favorita. Somos pelo amor. Sempre.

5. Babywearing – Gostamos de ver bebés bem juntinhos às mães e aos pais. Preocupamo-nos que o façam de uma forma correcta, que proteja tanto o bebé como o adulto. Não temos nada contra os carrinhos de bebés. Simplesmente morremos de amor quando vemos um bebé num pano bem colorido.

6. Creche ou casa – Somos pela felicidade das famílias. Há famílias que cuidam dos filhos em casa, outras que optam ou necessitam de os pôr numa creche. Somos pelas creches que acolhem e cuidam com afecto e respeito, sempre. Mães a tempo inteiro são todas as que cuidam dos seus filhos, não apenas as que estão em casa 24×7. Somos pelo respeito pelas famílias.

7. Castigos, palmadas e afins – Somos pela parentalidade positiva. Gostamos de palavras como mindfulness e consciência. Não somos pela permissividade, não vamos confundir as coisas. Somos imperfeitas e gritamos de vez em quando, temos consciência da nossa natureza humana. Mas pedimos perdão, tentamos em cada momento ser sempre um pouco melhor do que fomos antes. Condenamos firmemente os castigos e as palmadas, assim como todo o tipo de humilhação e agressão verbal. Somos pelo respeito. As crianças são como tu e eu.

8. Famílias – Somos pelo conceito de família que privilegia o amor. A família pode ser composta por uma mãe e um pai, apenas uma mãe ou um pai, por duas mães ou por dois pais. Somos pelo amor, pelo respeito. Não estamos preocupados com a sexualidade dos casais, somos pela harmonia na família.

A nossa Missão é criar espaços onde as mães se sintam acolhidas, onde se divulgue informação fidedigna que apoie as suas decisões, onde se incentive a partilha e o espírito comunitário.

A nossa Visão é a de um mundo com mais amor e tolerância, com mulheres mães com mais poder, mais felizes e realizadas.

2 thoughts on “Manifesto Mimami

  1. Maria diz:

    Gostava só de comentar quanto ao “Não estamos preocupadas com as mães que decidiram não amamentar e estão satisfeitas com a sua decisão”. Não se esqueçam que muitas mães queriam dar de mamar e não conseguiram, ou não puderam, seja porque razão for. Também há as mães que decidiram não dar de mamar, mas que não ficaram contentes com a decisão, ou sofreram com os julgamentos dos outros. E existem ainda aquelas que não queriam mas sentiram-se forçadas a amamentar, tal era a pressão da família, médicos, media etc, e que depois sofreram (em silêncio) com a experiência. Estas mães também precisam do vosso apoio. Apoio para amamentar é o que não falta por aí, mas apoio para as mães que não quiseram, ou não puderam, dar de mamar, isso é o que verdadeiramente faz falta. Amamentar está na moda, as mães que amamentam são quase glorificadas, mas as mães que decidem não amamentar (ou não podem) são muitas vezes tratadas agressivamente, como se fossem “más mães”. E vocês sabem que não há nada mais doloroso para uma mãe do que lhe dizerem que não é boa mãe… Just a thought.

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  2. Cristina Cardigo diz:

    Maria, não só não esquecemos como estamos cá precisamente para essas mães que refere. Concordo em absoluto quando diz que há muitas mães que não conseguiram e sofrem com o julgamento dos outros (e tantas vezes com auto-comiseração à mistura) e é precisamente contra isso que queremos lutar. Porque, em muitos dos casos, as mães que não conseguiram foi porque não foram bem aconselhadas. Outras vezes, porque se depararam com situações realmente difíceis. E claro, temos que acolher essas mães, sim.

    Eu faço a distinção entre as mães que *decidem* não amamentar e digo que essas não nos preocupam, precisamente por pensar nas que estão serenas com a sua opção. Se eu podia falar em todos os benefícios da amamentação para mãe e bebé? Podia! Mas o tempo é um recurso limitado e, por isso mesmo, prefiro dedicar-me a todas as outras que querem mas não conseguem e precisam de ajuda.

    Era muito bom que amamentar estivesse na moda. :-) Infelizmente, ainda oiço muitos casos de mães que são pressionadas para introduzir suplementos de leite artificial ou para desmamar precocemente, quando esse não é o seu desejo.

    Por vezes, sinto mesmo que vivo num mundo meio surreal, onde as mães de biberão são julgadas porque não amamentam e as mães que amamentam são julgadas porque deviam dar biberão!

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