O paradoxo da vacinação

O tema polémico da actualidade: vacinação.

Estão vocês a pensar uma de duas coisas:

– Pronto, lá vem mais uma “flower power” dizer que a “big pharma” quer nos enganar a todos

– Pronto, lá vem mais uma fanática da ciência ridicularizar quem tem dúvidas sobre vacinação

Antes de mais nada deixem-me dizer-vos que não sou nenhuma das duas opções acima. Gostaria que lessem até ao fim mas posso adiantar-vos que vacino os meus filhos contra todas as doenças possíveis, inclusivamente as que tenho que pagar ou melhor: as que efectivamente consigo pagar. Agora que já sabem de que lado estou, vamos ao que interessa: há maus defensores de ambos os lados da barricada. Há mesmo muito maus defensores que o que fazem é somente e apenas dividir mais e mais sem trazer nada de realmente positivo a esta questão.

Uma amiga, que inclusivamente vacina o filho, chamou-me a atenção para o meu tom mais agressivo quando falava em vacinação. Enviou-me um artigo sobre o assunto, eu resolvi ler mais e mais e percebi que EU não contribuía em nada ao gritar “vacinem os vossos filhos!”.
Em primeiro lugar, qualquer pessoa tem todo o direito e legitimidade para questionar a vacinação porque nenhum médico explica convenientemente e de livre vontade o que são as vacinas, o que fazem, a gravidade das doenças que elas evitam e os efeitos secundários a elas associados. Sim, existem efeitos secundários e podem ser graves. Deveria existir um caderno sobre vacinação, produzido pelas entidades de saúde de cada país numa linguagem corrente e simples de perceber por leigos, gratuitamente disponível para TODOS os cidadãos e amplamente divulgado para que toda a gente tivesse acesso a informação sobre este assunto. Mas ninguém faz isto, porquê? A informação é uma arma poderosa que pode ser usada para o bem e para o mal. Se há tanta informação a ser passada de forma errada, porque não acreditar que o cidadão informado irá ter discernimento para decidir o melhor?

Há famílias com historial de reacções graves a vacinas. Se fosse esse o meu caso, provavelmente não vacinaria os meus filhos. Ser mãe e pai e ter de escolher entre o mal menor para um filho… é de uma impotência e angústia sem tamanho!

Vamos pensar, vamos ouvir, vamos ler e perceber que há razões válidas para alguém não querer vacinar-se ou à sua família. Como a probabilidade grande de uma reacção adversa se manifestar após tomar uma vacina.

Mas falemos das razões não válidas: falar que as vacinas têm substâncias que matam como se fossem veneno, quando cientificamente isso é mentira. Falar que causam autismo: é mentira. Falar que é tudo uma conspiração para ganharem mais dinheiro, quando as farmacêuticas ganhariam mais a tratar as doenças do que a preveni-las. Isto, são factos.

Mas, quando o médico que lidamos diariamente ou as entidades de saúde estatais parecem “omitir” informação, estas razões passam a fazer algum sentido para muitas pessoas que já tinham dúvidas.

Este não é um artigo de opinião para convencer a vacinar os filhos. Para mim é um facto científico e estatístico que vacinar os meus filhos é o melhor, mas a cada ida ao médico em dia de vacinas… eu tremo um pouco, sei que existem efeitos secundários, e sei que é uma roleta russa que tudo corra bem. Passo os dias seguintes a verificar todas as mudanças de comportamento, o que comem, a temperatura corporal, tudo. Porque estou informada.

Esta é a chave: informar de forma clara e concisa toda a gente.

Vamos colocar esta informação nos livros da escola, nos centros de saúde, nos gabinetes dos pediatras, nos hospitais. Vamos colocar esta informação nos gabinetes de medicina do trabalho.

Vamos falar dos efeitos secundários. Vamos explicar que há pessoas e crianças que não podem ser vacinados e dependem da vacinação de grupo. Vamos explicar porque alguém que decide não se vacinar, provavelmente não ficará doente e não é porque a doença não existe ou porque é mentira que precisamos nos proteger mas sim porque está a usufruir da imunidade de grupo. Vamos consciencializar todos, dar a entender como é importante a opinião de toda a gente, como são importantes os seus receios. Não é a insultar o outro lado da barricada que chegamos a algum lado. Não é a vociferar argumentos errados que chegamos a algum lado. Não é a esconder os possíveis efeitos secundários das vacinas que iremos trazer “mais gente” para o nosso lado. Não há lados aqui, há vidas que queremos proteger mais do que tudo porque são os nossos filhos, os nossos bens mais preciosos.

Deixo-vos aqui uma leitura, em inglês, para reflectir sobre o porquê de muitas pessoas acreditarem numa conspiração. E é o que realmente parece, uma conspiração para esconder informação. Não é a esconder informação que evoluímos, é a partilhá-la correctamente.

http://www.phillyvoice.com/vaccine-injury-disability-and-death/

Marília Campos

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