O diagnóstico que perturba… os comentários que desestabilizam

Quando fazemos o teste de gravidez, e ficamos a saber que a cegonha vai em breve chegar, muitos são os sentimentos que nos invadem a alma… felicidade, apreensão, medo, euforia… será que vamos dar conta do recado? E se eu não conseguir ser uma boa mãe? Começamos quase de imediato a fazer planos para o nosso feijãozinho, a imaginar como será a sua cara, a cor dos olhos, do cabelo, será que vai ter o nariz da mãe? O sorriso do pai? E com o avançar da gravidez, todos os exames que estão em ordem, o bebe a crescer bem, vamo-nos preparando esta longa e maravilhosa viagem que é a maternidade…

Mas em momento algum nos preparamos para ter um filho diferente… sonhamos com a criança saudável e maravilhosa, e quando não há nenhuma mal-formação ou outra doença “física” detectada, é exactamente para isso que nos preparamos… mas e quando percebemos que algo não esta bem?

Ao inicio somos confrontados com uma criança “difícil”, irrequieta, curiosa, mas vamos levando a coisa como sendo normal, afinal, há crianças assim! Mas com o passar dos anos as coisas começam mesmo a complicar-se e a um dado momento resolvemos falar com o pediatra so por “descargo de consciência”… aí somos encaminhados para o psicólogo, que detecta que de facto há algo “especial” na nossa criança…

No nosso caso foram 3 anos de terapia semanal sem um diagnostico preciso… apenas um menino super curioso, muito inteligente, mas que tinha muitas dificuldades de concentração, e uma agitação incontrolável… ao fim de 3 anos  levantou-se então o véu… “muito provavelmente o Duarte tem TDAH” disse a psicóloga, e a partir daí foram feitos vários testes, que indicavam que de facto esse era o quadro mais provável… foi então encaminhado para um neurologista, que por sua vez confirmou o diagnóstico: o Duarte sofre de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperactividade!

Na verdade, já nos tínhamos começado a preparar para receber esta noticia… mas independentemente disso, não foi (e não é!) fácil… a “Hiperactividade” esta muito mal vista, à força de ter sido tão banalizada nos ultimos anos… quantas vezes ouvi “oh, hoje em dia todos os miúdos são hiperactivos” ou então “esses miúdos são é mal criados, e os pais não têm mão neles ou não se ralam” e o pior mesmo é quando alguém solta a frase “ouvi dizer que o TDAH é uma doença inventada”

Ninguém pode imaginar o quão duro é para os pais que (con)vivem com este transtorno ouvir coisas semelhantes… dizer este tipo de coisas, é o mesmo que dizer que todas as nossas dificuldades, o nosso sofrimento e dos nossos filhos, e todos os nossos esforços são fictícios… o Duarte tem terapia individual 1x/semana, (onde fazemos cerca de 50km casa-gabinete-casa) temos terapia em família no mesmo gabinete cerca de uma vez por mês, tem judo 1 a 2 vezes por semana, futebol às 5as e torneios de futebol ao fim de semana… é maravilhoso poder ‘oferecer’ tudo isto ao nosso filho, porque sabemos que o ajuda, mas ninguém faz ideia do desgaste que isso implica, da ginástica a nível da dinâmica familiar, e na própria dinâmica do casal… principalmente porque o Duarte não é filho único… mas é muito muito raro alguém nos ouvir queixarmo-nos, porque o fazemos com o coração cheio de amor!

Mas quando ouvimos aquele tipo de comentários, inevitavelmente mil e uma coisas surgem na nossa cabeça… todas as duvidas (que já colocamos centenas de vezes) voltam… E se realmente tiverem razão? E se realmente somos maus pais? E se a culpa é nossa?

Eu, em determinada altura, cheguei mesmo a questionar-me se por acreditar no diagnostico estaria a “manter o meu filho doente”… quando falei nisso à psicóloga ela simplesmente disse: “4 pessoas diferentes e independentes umas das outras seguem o Duarte: pediatra, psicóloga, pedopsiquiatra e neurologista… se todos vão no mesmo sentido é porque de facto as coisas estão lá, e vocês são excelentes pais, por favor nunca ponham isso em causa”.

Aceitar o problema, fazer “o luto” da criança saudável e perfeita é uma prioridade para se poder ajudar estas crianças…

Porque no fundo um diagnostico não muda o menino maravilhoso que ele é! Apenas nos ajuda a ajudá-lo!

Assinatura Cátia

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