Sobre as prioridades

“O meu filho tem uma gastroenterite, estou com ele estes dias.” Esta tem sido a frase mais repetida da semana. Quando dizemos a alguém, seja ao nosso patrão, seja a uma amiga ou familiar, que o nosso filho está doente, nem sempre encontramos a empatia que precisamos naquele momento.

Mas procurem uma mãe com filhos pequenos e ela compreenderá na perfeição o que a frase carrega.

A mãe saberá que a gastro faz com que os filhos vomitem, muitas vezes para cima de si próprios e das mães. Eles não vão a correr à procura de uma sanita ou de um saco de plástico. Eles não viram a cara. Simplesmente, vomitam. Quilos de comida, se for preciso. E na presença de visitas em casa. A doença não apresenta pré-aviso.

A mãe saberá que a tal gastro também traz diarreia. Muita. E que, uma vez mais, os filhos não correm para uma sanita sempre que sentem cólicas: eles correm para o colo da mãe. Choram com dores, procuram consolo. Sentem o desconforto de uma fralda cheia, roupa suja e, numa ambivalência tremenda, lutam para não serem limpos. A mãe saberá que isto pode acontecer 2, 3, 6, 7 vezes por dia… Hoje foram mais de 10.

A mãe não esquecerá que é importante fazer dieta. Mas que os filhos pequenos não gostam de caldos de arroz nem de cenoura cozida. Muitas vezes, nem de ice-tea, soro com sabor a morango, chá de camomila bem docinho ou bolacha Maria. Só querem água e iogurtes, vá se lá perceber. E, ao 3º iogurte, a mãe pergunta-se se é preferível deixá-lo à fome ou sujeitá-lo aos lacticínios (mas percebe num grupo online de mães que pode dar iogurtes sem lactose). A mãe percebe nas calças que o filho está a perder peso, dia após dia.

A mãe que amamenta saberá que, mesmo que o filho esteja quase desmamado, ele irá pedir para mamar com muito mais frequência, pois precisa de líquidos e mimos.

A mãe saberá que, perante as dores dos filhos, trocar fraldas, lavar cada muda de roupa, esfregar sofás, deixar edredões na lavandaria, dar de mamar quando está exausta, preparar comida que não faça mal mas que ninguém irá comer… todas essas tarefas são um passeio no parque.

A mãe pensará que suportaria as dores do filho se pudesse. Mas saberá que, se for uma gastro viral, a probabilidade de afectar toda a família é grande. E aí unem-se os esforços, quando estão todos mais para lá do que para cá. A mãe de 1 filho pensa na coragem das mães com mais filhos. Se o cenário já é dantesco, o que seria se fossem muitos.

Abril trouxe 2 gastroenterites, sendo que a última dura desde sábado.

E o resto da vida para. Mesmo que o resto da vida não perceba porque não conseguimos responder a chamadas, emails, mensagens…

O resto da vida pode esperar.

Cuidar dos nossos filhos é (e será sempre) prioritário.

PS: A mãe saberá isto tudo e o pai também. Principalmente a parte de lavar a roupa… :-)

One thought on “Sobre as prioridades

  1. Angie diz:

    Online ou ao vivo e a cores cada mãe ouvira conselhos e saberá o que é melhor para o seu filho, ou se não souber começará a tentiva-erro até acertar…ou até esgotar-se o tempo que a virose leva a passar.
    Coragem.

    Gostar

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