O açúcar é o maior veneno que damos às crianças

É o que diz a pediatra Júlia Galhardo, responsável pela consulta de obesidade no Hospital de Dona Estefânia, numa entrevista à Visão. E vai mais longe, refere-se mesmo ao abuso do açúcar em idades precoces como maus tratos.

Eu me acuso, sou daquelas pessoas que come demais quando está cansada/triste, come porque está feliz e quer celebrar, come porque acha que cozinhar é um passatempo estupendo. Não tenho a “sorte” de não engordar, como tem o meu filho e marido, por isso tento ter cuidado com a alimentação da nossa família. Sorte entre aspas, porque engordar pode ser um factor de alarme para os excessos, porque se vê.

Os pais não devem ficar descansados quando o seu filho, que come muitos doces, é magro. Muitos desses meninos, que são longilíneos, têm alterações dos lípidos no sangue, têm problemas de aterosclerose. Não são gordos, mas têm alterações metabólicas. Nem tudo o que é mau se vê. Nem tudo o que é mau dói. A hipertensão não dói, a diabetes não dói. Não doem, mas matam. E, mesmo quando existe excesso de peso, os pais não dão a devida importância. Acham que a criança vai esticar quando crescer, como se fosse plasticina, e que o problema vai desaparecer. Só começam a perceber que há, de facto, um problema quando as análises dão para o torto. Quando o colesterol ou os glícidos ou o ácido úrico vêm aumentados, quando as análises revelam inflamação…

E depois, há um mundo lá fora. Um mundo de pessoas simpáticas que querem oferecer chupas, um mundo que acha que “é só um dia”, “que não faz mal nenhum”. Um mundo que acha que os afectos se transmitem com comida, não é à toa que nos restaurantes há o “Doce da Avó”, eu cá nunca encontrei o “Doce da Mãe” ou o “Doce do Pai”.

Os avós têm um papel fundamental! Os avós são do tempo em que não havia esta parafernália do pacote. O doce era o mimo do dia de festa. Mas transformam este mimo num bolo ou num chocolate todos os dias. Porque… “coitadinho do menino”. Eu peço aos avós, por favor, que transformem estas coisas em mimos de abraços, de afetos. Que vão com eles ao parque brincar, ver o pôr do sol, fazer castelos de areia. Que os ensinem a cozinhar coisas saudáveis. A fazer pão, salada de frutas. Eu aprendi a fazer pão com a minha avó e ainda hoje me lembro. Peço aos avós que nos ajudem a modificar esta carga. E que percebam que, hoje em dia, o maior inimigo dos seus netos é o açúcar. A comida não é castigo nem prémio.

Como sensibilizar sem parecer a bruxa má do Oriente? Festas de aniversário na creche, onde dizem “é só um dia”, mas é só um dia em que 40 crianças fazem anos… mais as outras festas de aniversário fora da creche (com a moda de se levar um saquinho de doces para casa!), a Páscoa, o Natal, as férias, etc. etc…  O meu filho tem 2 anos e meio aprendeu a dizer chocolate e chupa fora de casa… ou foi na creche, ou foi com as avós. Nunca o saberei. Não os podemos proteger para sempre, dirão as almas caridosas da brigada do açúcar… É precisamente por isso que acho importante controlar os doces e educar no sentido da prevenção. Um bom começo é ler o artigo completo aqui.

27 thoughts on “O açúcar é o maior veneno que damos às crianças

  1. Wolfgang Denecke diz:

    Pareçe que a autora já assistiu uma palestra minha sobre alimentação saudável e se inspirou e percebeu que a saída é a prevenção das doênças. Parabéns pela artigo e iniciativa !!!

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  2. IVO Borges diz:

    Obrigado pelo artigo cada vez temos de continuar a fazer levantar as nossas vozes, pois a ignorância do “é só uma vez” e “nada de extremismos” tem de acabar pois estão a assassinar a saúde das nossas criancas e protegem se na loucura da sociedade não olhando para as estatísticas. Os país são os responsáveis tanto pelo que dão em casa como pelo que deixam que dêem nas escolas. Uma voz faz a diferença! Cada um tem a sua!!

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  3. Marisa diz:

    Ok, isso já sabemos mas o que fazer? Já não falo nos bolos, pois isso é fácil mas onde cortamos mais? Retiramos o iogurte, as bolachas, etc? E substituímos por que?

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    • Gislaine Ribes Pestano diz:

      Marisa, iogurtes são saudáveis, substituir pelo o quê? Frutas, iogurtes…hoje existem no mercado, pequenas lancheiras térmicas…minha prima adquiriu uma na farmácia. Boa sorte!

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    • sda diz:

      Marisa.. nao se retira os bolos.. o que se tem de retirar dos bolos é os ovos as margarinas e os oleos.. fazer bolos so com farinha açucar frutas e sementes. retirar carne peixe leite ovos e queijo da dieta das crianças .. e fritos tambem.. azeite oleo etc.
      O açucar pode ser dado a crianças .. tem poucas calorias e é natural vem das plantas.

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    • Patrícia diz:

      Quando estive grávida da minha segunda filha estive no limite da glicose quase com diabetes gestacional e perguntei ao obstetra “mas, com este calor, eu tenho comido basicamente fruta, iogurtes e outras coisas leves e frescas, o que estou a fazer mal?” comecei a ler os rótulos e apercebi-me entre outras coisas que um iogurte líquido normal tinha cerca de 20g de açúcar. Os que não tem açúcar tem químicos! Recentemente tive um problema auto imune e engordei 8kg. Nunca tinha tido problemas de peso por isso tentava comer saudável mas sem grandes preocupações. Comecei a ler mais rótulos, li sobre a alimentação do paleolítico (para mim faz muito sentido). Descobri que comemos muito açúcar, mais do que eu já sabia e que o açúcar pode ter muitos nomes num mesmo título e não é só o açúcar refinado, há que ter atenção ao açúcar no geral. Fiz algumas mudanças e até me habituei a elas mas com as crianças é muito mais difícil, é difícil substituir se toda a cultura nos leva a comer mal. As miúdas vão para a escola e servem-lhes pão e leite ao lanche, às vezes cereais porque nos ensinaram que é saudável e eu fico em casa a ler que fazem picos glicemicos e a pensar como dar a volta a isto. A dificuldade maior não é perceber o que estamos a fazer mal, a dificuldade maior é a questão que coloca “substituir por quê?” a que custo e a que preço quando aquilo que vem da agricultura pode não ser tão bom quanto nos andaram a dizer e quase tudo o que compramos está já processado ou alterado/contaminado de alguns forma. Para já não dizer que não somos todos formados em química e muito nos passa ao lado. Ainda está semana vi uvas no supermercado e junto ao preço dizia contém sulfitos.

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  4. Leonor Marado diz:

    Acho que passamos do 8 para o 80 em tudo e eu sempre fui de açucar, de alimentação dita saudável, ainda hoje faço uma alimentação em que tinha tudo para ser obesa, diabética e ter colesterol alto e tenho 59 anos e não tenho , nem nunca tive nada disso…e já agora digo que também não tenho celulite e sempre detestei iogurtes e legumes de qualquer espécie.
    O que tive sempre foi muita atividade fisica (não controlada) em criança e uma genica muito fora do comum em adolescente e adulta. O problema da obesidade infantil, está, de certeza, nas horas que as nossas crianças passam sentadas em salas de aula e em casa..isso sim faz mal a tudo..é um veneno.
    A obesidade nas mulheres, uma paranóia, quanto mais pensam nisso mais engordam, posso-vos dizer que tive 3 filhos e que engordei 20 quilos de cada um e sem nada fazer que não a vida normal e dar-lhes de mamar e lá se foram os quilos e a barriga..parecia novamente uma adolescente. e vos garanto que nunca na minha vida pensei, não como isto ou aquilo, ou esta ou aquela quantidade do que me apetece, porque engorda…pensar nisso e ler artigos extremistas como este e não falar no correr, brincar, caminhar pelos montes, etc também ajuda a criar crianças filhas de pais obcecados..tudo que comemos é de comer

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    • Anónimo diz:

      Muito estranho colocar a culpa nas avós.Existem crianças obesas que nem conheceram as tais avós,nunca foram para creches…e aí? Quem tem que se responsabilizar pelos filhos são os pais.E todos nós que ainda não acordamos para pedir menos doces e outras porcarias que ficam livres,expostos em todas prateleiras dos super mercados.Essa frase já foi…”vovó a vilã.Somos todos culpados.Realmente é hora de agir.

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    • Anónimo diz:

      Exatamente o que eu pensei! Mas não entendem porque não querem mudar! O cérebro já está programado a criticar o diferente, o novo, o que exige esforço.

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  5. Garudha diz:

    À desgraçada da avó da minha filha queria dar geleia de mocotó,bolacha recheada,bico e etc pra minha filha Bebezinha! Pra puta que pariu! Enfia os doces no rabo se não têm a capacidade de cativar sua neta com carinho! Minha Avó no máximo me deu bolo de fubá!e eu amo ela como a minha Mãe! Recado aos avós pobres de espírito;enfiem masguloseimasnosseuscús!

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  6. Anónimo diz:

    Doce não é o problema, mas sim o exagero. Por controlar muito o açúcar minha filha com 4 anos teve hipoglicemia o que pode ser ainda mais grave do que diabete, as crianças necessitam de açúcar, pois consomem muita energia. Sempre adiciono um docinho após a refeição.

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  7. Anónimo diz:

    Sou uma avó muito consciente! Insisto nas frutas e água ! Já os pais ( a mãe é minha filha) enchem a pequena de alimentos não recomendáveis ! Resultado está com sobrepeso!

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  8. Daniela Kriegel diz:

    Acho que mais importante do que cortar, no sentido de proibir, criando um tabu em torno do assunto, seja i alimento rico em açúcar, gordura ou qualquer outra porcaria, é informar, dar a escolha ao individuo. E penso ser isso importante desde a infância, tão logo e na medida da capacidade de compreensão da criança. Não cola com o adulto e nem com a criança, a longo prazo, dizer só não por que é ruim pra ti e ponto. Saber, por exemplo, que os sorvetes não são saudaveis, pode não te fazer corta-lo do cardápio, se você gostar muito, mas é provável que limite o consumo a 1 ou 2 vezes por mês ou reduza a porção, o que já é alguma coisa

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