Os desabafos da paternidade

desabafos da paternidade

Os pais queixam-se muito. Do filho que não come ou do que não para de comer. Daquele que dorme de dia e chora de noite, do que dorme de noite mas acorda às 6h da manhã cheio de energia. Das birras porque a banana é amarela em vez de azul ou porque tocamos acidentalmente no garfo do rebento sem a autorização dele. Das noites a dar de mamar ou do preço do leite em pó. Da febre que não cede e da testa amassada num tropeço na creche. De termos polvos em vez de filhos na hora de vestir e da falta de pontaria na hora do xixi.

Os pais amam os filhos, tanto tanto! Mas não quer dizer que gostem de tudo neles ou de todas as fases, ou do cansaço, da ansiedade, da insegurança de ser pai e mãe.

Os desabafos servem para nos sentirmos menos extraterrestres, servem para encontrarmos uma voz amiga que nos diz: percebo-te, também sinto isso, também estou cansado, também me sinto frustrado, também amo de paixão os meus filhos e sei que é custoso.

Desenganem-se de pensar que são palavras de arrependimento ou de desmotivação, principalmente para quem ainda não tem filhos e por vezes nos diz: “quiseste filhos por isso agora não te queixes!”.

Porque não haveríamos de nos queixar? Serve como válvula de escape do stress e frustração que a parentalidade tantas vezes nos provoca. É assim que mantemos o amor sempre fresco e recarregamos baterias para seguir em frente e educar os nossos filhos que nos chegam sem livro de instruções. É uma forma de tirar até ideias e soluções para lidar com situações mais complicadas do dia a dia.

Eu amo os meus filhos de paixão, amor sem um pingo de arrependimento, incondicional, e são o mais maravilhoso que a vida me poderia proporcionar, mas reservo-me ao direito de não gostar das birras ou das noites mal dormidas. Da comida no chão ou dos brinquedos espalhados por toda a casa, de não ter tempo para um banho demorado ou ver um filme sem um “mamã!” a cada 5 minutos.

Os desabafos servem para amarmos mais os nossos filhos porque sentimos que não somos incompetentes, que os nossos filhos não são o terror, estamos juntos com outros pais nesta viagem absolutamente fabulosa ainda que cheia de medos e dificuldades.

Serve para nos rirmos também do nosso próprio desespero, sim, somos todos pais à beira de um ataque de nervos e o que nos salva são uns bitaites em português brejeiro para nos lembrar que nós é que somos os presidentes da junta lá de casa!

Escrito por Marília Campos, mãe do Gabriel e da Rita

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