Filhos Especiais numa sociedade “normal”

Bem sei que todos os filhos são especiais, mas no contexto em que vos falo hoje refiro-me aqueles filhos que são especiais por serem “diferentes”…

Quando se vive numa sociedade padronizada, com moldes para tudo (educação, desenvolvimento, escola, etc) ser/ter uma criança diferente é um desafio! Essa diferença pode ser física, intelectual, dificuldades de aprendizagem, de relacionamento ou até uma facilidade de aprendizagem fora do habitual… Ser diferente incomoda a formatação tão cuidadosamente feita pela sociedade daquilo que é “normal”, obrigando educadores e professores a saírem da zona de conforto para conseguirem acompanhar estes miúdos… Então o mais simples é fechar os olhos e fazer de conta que não se vê nada, na esperança de passar rapidamente a “batata quente” a outro antes que alguém dê por isso…

Eu sou mãe de um desses meninos especiais, o Duarte tem 7 anos e sofre de Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperactividade e impulsividade, e é dotado de uma  curiosidade extraordinária que faz com que tenha interesses um pouco diferentes dos meninos da mesma idade…  Este ano começou a primeira classe, mas aqui o mundo escolar começa com 2 anos de pré-escola obrigatórios. No inicio deste ano o Duarte estava super excitado, disse-me que tinha a certeza que iria aprender imensas coisas interessantes, e quando lhe pergunto o que gostava de aprender responde-me “hmm… assim coisas que se passaram há muitos muitos anos, como por exemplo a Guerra de Troia…”  Bom… não tive coragem de lhe dizer que ia ter de esperar ainda uns 5/6 anos até falar sobre isso na escola e comprei-lhe dois livros sobre o tema…

Devido às suas altas expectativas,  facilidade de aprendizagem e ao seu TDAH as coisas na escola nem sempre correm sobre rodas… a motivação nem sempre é fácil de encontrar, principalmente quando as actividades são repetitivas… quase no final do ano lectivo passado ouvimos o seguinte discurso de uma professora: “O Duarte tem muitas dificuldades de concentração e em acabar uma tarefa que começa… optámos por adaptar um pouco método de trabalho e notamos uma grande evolução. Mas como o Duarte não tem nenhuma dificuldade de aprendizagem achamos que não há razão para ter um tratamento diferente dos outros meninos da sala, além disso temos meninos com verdadeiras dificuldades de aprendizagem com quem temos de passar bastante tempo…. e desde que voltámos ao método normal as coisas pioraram muito”.

Nem sei o que me apeteceu fazer naquela hora, mas sei que me lembrei dos Pinguins do filme “Madagascar” e decidi segui o conselho do chefe “sorrir e acenar rapazes, sorrir e acenar!” E foi exactamente o que fiz, sorri e despedi-me, sabendo que dali a duas semanas acabava o ano escolar e que depois o Duarte iria para outra escola, e, esperava eu, podíamos ter a sorte de calhar com professores que o olhassem de forma diferente… vendo efectivamente as suas diferenças e necessidades…

É que estes miúdos que põem em causa programas e métodos de ensino “normais” são cá uma trabalheira!!

Assinatura Cátia

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