O outro lado do dia do pai, por Mariana Galinha

5ª feira comemora-se o dia do pai. Nas redes sociais só se veem prendas personalizadas, nas escolas as crianças estão atarefadas a fazer os seus presentes para dar aos seus pais. Nos shoppings só se veem promoções em relação ao dia do pai! Este mês tudo roda à volta da personagem “PAI”. Festas onde só a figura masculina entra, onde só se veem “pais” a fazerem de “pais” nesse dia. Onde, nesse dia, parece que todas as crianças têm um PAI durante todo o ano.

Mas e aqueles pais que por algum motivo (falecimento, abandono, etc) não estão com as crianças nesse dia? Ninguém ainda parou para pensar que hoje em dia, por qualquer motivo, as famílias “tipo” estão a desaparecer. E que esse dia é um tormento para as mães que não sabem o que fazer. Que não sabem o que dizer aos filhos, que não sabem o que fazer com elas nesse dia (já que na escola há a festa do dia pai e SÓ pode estar presente uma figura masculina mas que o papel de pai é feito pela mãe). E, o mais importante, o que é que aquela criança pensa deste dia? Um dia que as escolas tentam ser um dia de festa é um dia triste para essas crianças que não tem culpa mas que são as que sofrem mais nesta situações.

(In)felizmente passo por essa situação como mãe. Sinto-me triste com esta sociedade. Onde o próprio papa batiza uma criança filha de mãe solteira mas a escola faz festas onde SÓ pode estar uma figura masculina!

Texto escrito por Mariana Galinha, mãe da Íris

7 thoughts on “O outro lado do dia do pai, por Mariana Galinha

  1. Inês Pereira diz:

    Por esse motivo é que deixaram de fazer presentes no dia do pai e no dia da mãe no colégio das minhas filhas. Elas, felizmente, têm ambos presentes, mas se quisermos comemorar fazê-mo-lo em casa. Entendo e festeje o dia da família que faz muito bem. Beijinho, Inês.

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  2. Edna Bártolo diz:

    Este ano a escola do meu menino preparou a mesma gracinha, com direito de dizer que as mães não podem, terão oportunidade “no seu dia”. Solução: temos pena mas se o meu menino quiser muito ir à festa do pai, então dia 19 a mãe vai levá-lo! :)

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  3. Bruno Madeira diz:

    Cara Cristina, desculpe a minha honestidade e sinceridade mas é quase lamentável o que aqui escreve.
    Lamento profundamente a sua dor e percebo perfeitamente o que diz mas não pode de forma alguma quase afirmar que este dia devia ser abolido. Então e as crianças que não têm mãe, avô ou avó??? Vamos eliminar todos estes dias??? Claro que não, seria ridiculo, cabe a si resolver o problema com a escola e encontrar formas adequadas, tal como eu fui obrigado a fazer, de minorar o sofrimento. Se não pode estar presente na escola no dia do pai então não o leve, aproveite o dia e faça um programa que o seu filho goste e mostre-lhe que o pai dele apesar de não estar presente fisicamente, estará sempre nos vossos corações. Perdoe-me Cristina mas como Pai que sou e por aquilo que passei fiquei de alguma forma revoltado com o seu texto, mas como referi atrás compreendo, canalize é a sua força e energia para dar a volta à situação em vez de a perder com medos e receios antecipados. Bem haja e espero que perceba a minha mensagem.

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    • Sofia Marques diz:

      Muito bem dito Sr. Bruno Madeira. Já agora também se deixava de comemorar o Natal porque não somos todos católicos. Não se esqueça também que existem muitos pais que mesmo vivendo com os filhos e com as respectivas mães, por motivos profissionais não podem estar presentes, porque os patrões não dão “abébias”, porque para poderem alimentar a familia têm que imigrar, etc.. E tal como os pais, também existem mães ausentes por algum motivo. Então? Vamos acabar também com o dia da mãe? E o dia da àrvore. E todos os outros dias? A vida é como é, e temos mais é que nos adaptar, ou acha melhor enfiar a cabeça debaixo da areia e fingir que tudo é perfeito? Ou os outros meninos não têm direito a ser felizes com a vida que têm porque o seu não é?

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    • Cristina Cardigo diz:

      Caro Bruno, o texto não foi escrito por mim, mas sim pela Mariana Galinha.

      Vejo o texto da Mariana como um desabafo sobretudo em relação à creche da sua filha que, pelos vistos, não caso único. As escolas não devem promover a segregação e sugerir que uma criança não participe nas actividades quando o pai ou a mãe é/está ausente, seja porque motivo for.

      Pessoalmente, não sou apologista de se terminar com a comemoração de nenhum dia, seja do pai, da mãe, ou da criança. E, só para estes 3, poderia lembrar-me das crianças sem pai ou mãe (seja em vida ou em morte), dos pais que perderam os filhos e já não celebram esses dias, ou de casais com infertilidade, que também sentem esses dias como sendo mais penosos. Mas, vendo por outro lado, é um dia em que se pode celebrar e eu sou sempre a favor de celebrações cheias de simbolismo que sirvam para unir as pessoas.

      Como amiga da Mariana, a sugestão que lhe dei foi precisamente a que o Bruno me sugeriu: canalizar a energia para algo de positivo, juntar a filha e o avô e fazerem um programa a 3. Mas fica aqui o desabafo dela sobre aquilo que se pratica em algumas instituições que deveriam estar mais atentas a estes casos que são cada vez mais comuns.

      Bem-haja pelo seu comentário.

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  4. Célia Figueira diz:

    Sou educadora de Infância e deparo-me com esta problemática no Jardim de Infância onde trabalho. Todos os anos promovemos um dia especial para o pai ou para a mãe, onde desenvolvemos uma actividade para os mesmos participarem com os seus filhos. Por motivos profissionais, ou por falta de vontade (sim, isso também acontece!), nem sempre temos todos os pais presentes. Não considero que não levar o filho para a escola nesse dia seja solução, uma vez que o trabalho de preparação para essa comemoração começa nos dias que a antecedem e, ou a criança falta muitos dias ou acaba sempre por participar em alguma actividade inerente a esse dia. O que defendo e transmito aos pais e mães que surgem com dúvidas é o seguinte: acredito que as crianças devem aprender a conviver e a adaptar-se às diferentes circunstâncias da vida. Se o pai está ausente, porque não a mãe ou um avô participarem na actividade? E se nenhum dos progenitores poder comparecer, acho que tanto a educadora como as auxiliares, que passam muitas vezes mais tempo com as crianças do que os próprios pais, podem assegurar-se que essas crianças não se sentem discriminadas nem são tratadas de maneira diferente, acompanhando-as e participando com elas. Claro que não é o ideal, que nenhum pai ou mãe são substituíveis, mas penso que é uma forma de relativizar a situação, de mostrar que é preciso encarar os problemas de outra perspectiva e que de todas as situações podemos tirar sempre algo de menos negativo que, com toda a certeza vai ajudar estas crianças a crescerem mais um bocadinho

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